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Após
receber o Espírito Santo no seu batismo, Jesus percorre a Galiléia pregando o
Evangelho e proclamando que o Reino de Deus está próximo. Exorta o povo a
converter-se e a crer no Evangelho.
Proclama o Reino mediante o que fala, o que faz, e, acima de tudo, mediante aquilo
que é. Proclamar e edificar o Reino é o objetivo de sua missão: “Devo anunciar
a Boa-Nova do Reino de Deus, pois é para isto que fui enviado” (Lc 4, 43).
O
Reino de Deus “está próximo”, isto é, já está perto e em operação no nosso
meio. O próprio Jesus revela este Deus que reina. Ele se dirige a Deus pelo
termo de intimidade Abba: Pai, Papai. Através de parábolas ele descreve
esse Pai como sensível às necessidades e sofrimentos de cada ser humano, como
cheio de amor e de compaixão, como quem perdoa. Entra-se no Reino de Deus
através da Fé e da conversão, e não em conseqüência de uma herança étnica. Deus
convida a cada pessoa que se “converta” e “creia” (Redemptoris Missio, 13). “Progressivamente
Jesus revela as características e as exigências do Reino, por meio de suas
palavras, suas obras, e sua pessoa. (...) O Reino tenciona transformar as
relações entre os homens, e se realiza, progressivamente, à medida que estes
aprendem a amar, perdoar, e ajudar-se mutuamente. (...) A natureza do Reino é a
comunhão de todos os seres humanos entre si e com Deus... (...) O cristianismo
está aberto à fraternidade universal, porque todos os homens são filhos e
filhas do mesmo Pai e irmãos em Cristo” (Redemptoris Missio, 14, 15, 43).
Por
estas razões, o Reino é destinado para
todos. Deus chama a todos para serem cidadãos do Reino, incluídos aqueles que a
sociedade marginaliza. Jesus se achegou especialmente a esta classe de pessoas:
“No início do seu ministério, proclama: fui enviado a anunciar a Boa-Nova aos
pobres. Às vítimas da rejeição e do
desprezo, declara: Bem-aventurados vós, os pobres, fazendo-lhes, inclusive,
sentir e viver, já, uma experiência de libertação, estando com eles,
partilhando a mesma mesa, tratando-os como iguais e amigos, procurando que se
sentissem amados por Deus, e revelando, deste modo, imensa ternura pelos
necessitados e pecadores” (Redemptoris Missio, 14).
De
acordo com o Papa, a libertação e a salvação, oferecidas pelo Reino de Deus,
atingem a pessoa humana tanto em suas dimensões físicas como espirituais. As
curas e o perdão são gestos característicos da missão de Jesus. Ele manifesta
sua grande compaixão pelas misérias humanas. As curas são sinais da salvação
espiritual, isto é, da libertação do pecado. São sinais de que o Reino de Deus
chegou.
João
Paulo II diz que “a Igreja não é fim em si mesma, uma vez que se ordena ao
Reino de Deus, do qual é princípio, sinal e instrumento. Mesmo, sendo distinta
de Cristo e do Reino, a Igreja, todavia, está unida indissoluvelmente a ambos”.
A Igreja está efetiva e concretamente a serviço do Reino. Ela chama à fé e à
conversão, funda comunidades de fé cristã,
é sinal e difusora de valores evangélicos. No itinerário de conversão ao
projeto de Deus, a Igreja contribui com o seu testemunho e atividade, expressa
no testemunho, no diálogo, na promoção humana, no compromisso pela paz e pela
justiça, na educação, nos cuidados aos doentes, na assistência aos pobres e
mais pequenos e as crianças... Construir o Reino quer dizer trabalhar para a
libertação do mal, sob todas as suas formas... A Igreja é chamada a dar o seu
testemunho por Cristo, assumindo posições corajosas e proféticas, em face da
corrupção do poder político ou econômico; não correndo ela própria atrás da
glória e dos bens materiais; usando seus bens para o serviço dos mais pobres e
imitando a simplicidade de vida de Cristo” (Redemptoris Missio, 18, 20, 15,
43).
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