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Como podemos Viver Hoje a Solidariedade com Crianças e Jovens Pobres?
O
que segue não é uma lista autoritária ou definitiva de ações concretas. É uma lista
de possibilidades que eu espero possam servir como ponto de partida. Para
simplificar a apresentação, empreguei a primeira pessoa do plural, para indicar
e incluir os Irmãos e outros lassalistas:
Como
uma conseqüência lógica dos cinco Colóquios, nós podemos tornar a defesa das
Crianças e dos seus direitos um tema maior do 43º Capítulo Geral. Esse Capítulo
do Ano Jubilar pode adotar a defesa das crianças em carências como um enfoque
particular para a missão lassalista em todo o mundo durante os próximos sete
anos.
Em
níveis Regionais e de Províncias, nós podemos organizar encontros de Irmãos
interessados para discussões e sessões de “brainstorming”.
Escrevendo
em nível provincial e local, nós podemos declarar-nos comprometidos na defesa
das crianças, como uma dimensão integrante da missão da Província.
Nós
podemos concretizar as recomendações do Capítulo Geral, de avaliar a efetividade de nossos programas e de nossa ação pela
“promoção da justiça, especialmente no referente à alfabetização, os direitos
das crianças, valores educacionais, e defesa ” (Circular 435).
Nós
podemos prover materiais para a formação permanente dos professores, pessoal
administrativo, pais, membros da direção, antigos alunos, na doutrina social da Igreja, e nas
orientações do Instituto. Podemos organizar colóquios, seminários, palestras,
discussões, encontros para os membros da Família Lassalista. Alguns desses
programas podem servir-se das atas dos cinco Colóquios, como pontos de partida.
Esse material é o assunto de um Bulletin, atualmente em preparação.
Na
convicção de que a escola, o “instrumento preferencial” de nossa missão, é uma
“escola acessível aos pobres” (Regra 3), nós podemos criar fundos para bolsas de estudo, e assim propiciar assistência
financeira total ou parcial, a tantos jovens carentes quanto possível.
Nós
podemos criar programas educativos para formar em todos os jovens a quem
atendemos, na consciência das conseqüências da pobreza e das estruturas sociais
inadequadas. Nós podemos auxiliá-los no desenvolvimento de uma consciência
social, e na aceitação de sua responsabilidade para a mudança. No espírito dos
artigos 14 e 40 da Regra, nós podemos desenvolver programas que incluam
informação adequada, instrução na doutrina social da Igreja, experiência
prática de trabalho com os pobres, e oportunidades para refletir sobre essa
experiência à luz do Evangelho.
Aqueles
de nós, envolvidos em educação superior, podem empenhar-se na concretização das
recomendações do último Capítulo Geral, de promover pesquisas de sondagem das causas da pobreza e da injustiça
social, e maneiras de eliminar essas causas (Circular 435). Nós podemos
organizar conferências e seminários sobre o tópico da exploração de crianças.
Nós podemos participar nos sistemas políticos como defensores das crianças.
Através de distinções de “doctor honoris causa” e de outras
distinções, nós podemos manifestar o reconhecimento a pessoas que dedicam suas
vidas à promoção dos direitos humanos das crianças. Em nossos programas de
treinamento de professores, nós podemos garantir que futuros professores
conheçam bem a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Convenção sobre os Direitos da Criança, e
as implicações desses documentos para professores e educadores.
Nós
podemos promover a noção de “cada escola um centro de impacto”. Podemos
propiciar a criação de “programas de extensão” na proximidade local, vilas e
cidades. Nós podemos convencer os professores, pais, antigos alunos, e os
próprios alunos a participarem em programas de serviço a crianças carentes.
Nós
podemos estimular lassalistas – Irmãos, colaboradores, pais, antigos alunos,
membros diretivos, alunos – a se envolverem ativamente em organizações
internacionais, nacionais, cívicas,
católicas, ecumênicas... dedicadas a confrontar politicamente estruturas e
proteção inadequadas aos jovens. Eu penso que nossas associações de antigos
alunos podem engajar-se mais ativamente
em tais atividades.
Nós
podemos promover vigorosamente o desenvolvimento da Juventude Lassalista e dos
Voluntários Lassalistas, em bases de prazos curtos e prazos longos,
recomendando que eles se dediquem de
maneira particular às crianças e aos jovens abandonados e marginalizados. O
movimento da Juventude Lassalista está crescendo em vigor e eficiência. Temos
várias estruturas para voluntários em tempo integral, com resultados
impressionantes, mas, o número total destes Voluntários no Instituto é ainda
muito reduzido. Por outro lado, o número de voluntários durante o período de
férias é significativo. Muitos desses voluntários, tanto estudantes de mais
idade como adultos, participaram até três ou quatro vezes. O último Capítulo
Geral recomendou que Irmãos, em gozo de ano sabático ou de outras oportunidades
de renovação, incluam em seu programa, um “envolvimento com os menos
favorecidos”.
Nós
podemos empenhar-nos para pôr em prática os artigos 40a e 19a que determinam
que as Províncias desenvolvam um plano que progressivamente torne o serviço
direto aos pobres, sua “prioridade efetiva”, tanto na área geográfica da
Província, como fora dela. Nós, Irmãos, podemos dar apoio a propostas de
“confiar a outros algumas de nossas obras, para satisfazer a necessidades
urgentes”. Além disto, podemos oferecer-nos para serviços em “lugares mais
necessitados do ministério dos Irmãos” ( Regra, 40a e 19a).
Para
tornar a presença da Igreja uma realidade mais sentida entre os pobres, nós
podemos reforçar nossa diligência e
iniciar novas comunidades e “projetos de inserção” em setores pobres (Circular
435). “Diversas são as comunidades que vivem e operam entre os pobres e
marginalizados, abraçam a sua condição e partilham os seus sofrimentos,
problemas e perigos” (Vita Consecrata, 90).
Especialmente
nas regiões pobres do mundo, mas também em setores empobrecidos dos países
industrializados, podemos revigorar
nossa presença lassalista na educação elementar e nos primeiros anos da
secundária. Na sua recente Mensagem, o Dia Mundial da Paz, o Papa faz
referência à necessidade da educação elementar, e manifesta sua preocupação por
“em algumas das regiões mais pobres do mundo, as oportunidades educacionais
estão realmente decrescendo, especialmente na área da educação primária. Ele
afirma: Por vezes, os recursos parecem disponíveis para projetos de prestígio e para a educação
secundária, mas não para as escolas primárias” (8). Em anos recentes, algumas
Províncias têm iniciado escolas primárias e escolas médias novas e efetivas,
para crianças e jovens de menor idade. Nós podemos também explorar a
possibilidade de “escolas itinerantes”, como as da rede de salas de aula em
ônibus, na França, a que já me referi mais acima.
Nós
podemos reforçar programas existentes e criar novos centros para meninos e
meninas de rua, órfãos, e crianças abandonadas. Possuímos um louvável número de
tais centros em vários países. Eles são de tipos e de formatos diferentes, mas
estão todos a serviço das crianças e
dos jovens pobres. Por vezes, esses Centros estão sob a direção do Instituto.
Em outros casos, Irmãos e cooperadores leigos colaboram em programas dirigidos
em conjunto por várias institutos religiosos, conferências religiosas,
associações ecumênicas, ou organizações civis. Em algumas escolas, Irmãos,
colaboradores leigos, pais, antigos alunos e alunos dedicam várias horas por
semana em projetos para meninos e meninas de rua.
A
“prevenção” é um aspecto importante de alguns centros e programas. Neles existe
o empenho para ajudar às famílias em dificuldades, para que os filhos não
terminem na rua. Em outros há creches onde se
prestam cuidados a bebês e criancinhas enquanto suas mães estão trabalhando. Alguns centros para
meninos e meninas de rua oferecem
moradia temporária. Outros são semi-internatos, onde as crianças podem
jogar, descansar, receber atendimento
médico, tomar banho, receber aconselhamento – e, o que é mais importante, fazer
a experiência de um atendimento amoroso.
Nós
podemos manter nossa longa tradição de trabalhar com crianças com problemas de
comportamento, prestando uma assistência especializada em nossas escolas, ou
reforçando, ou criando centros
especificamente intencionados para esta finalidade. Temos muitos de tais
centros, mas, devido ao número decrescente de Irmãos, mudanças políticas de
governo, e dificuldades financeiras, eles existem em números menores do que no passado.
Nós
podemos oferecer as facilidades e os cuidados necessários em nossas escolas
para crianças que apresentam deficiências mentais ou físicas, mas que podem ser
integradas no ambiente de uma escola comum. Nós também podemos trabalhar direta
ou indiretamente com crianças gravemente deficientes, particularmente quando
são descuradas ou mesmo abandonadas. Em áreas onde temos instituições para
crianças deficientes, nós podemos melhorar a qualidade de nossa formação
profissional, e podemos esforçar-nos para envolver nossas comunidades
educacionais das escolas no nosso trabalho.
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