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Os bens a
serviço da Vida dos Irmãos
8. Nosso estilo de vida: a
localização das Comunidades e os recursos. Em geral, a vida das Comunidades
esteve muito ligada ao trabalho que estas realizavam preferentemente nos
centros educativos: escolas, colégios, universidades. Não havia distinção entre
os locais e as instalações destinadas à Comunidade com as instalações
destinadas ao "Centro Educativo". Não poucas vezes os serviços eram
comuns. Sequer se estabelecia a distinção de gastos originados da vida da
comunidade religiosa com a comunidade do grupo de educadores.
Por
isso, em muitas de nossas obras, à medida que se foi respondendo às crescentes
exigências de qualidade dos centros educativos e de suas instalações, mudou o
estilo de nossas residências. Em muitos casos, sobretudo num primeiro momento,
essa mudança não quebrou o estilo simples e até verdadeiramente pobre em
algumas ocasiões. Porém, atualmente não se pode dizer o mesmo, e tenho a
impressão de que necessitamos reflexão e ação nesse ponto, porque creio que
está afetando profundamente nosso estilo de vida.
O
que possuímos há de expressar o que somos e pretendemos ser. Daí que a relação
entre meios e objetivos preferenciais não é inócua e merece reflexão e
discernimento. A localização de nossos centros, o vínculo que em muitos casos
continuam tendo com nossas residências comunitárias, o ambiente
econômico-social de algumas localidades onde vivemos, e as respostas que damos
às exigências legais em relação à qualidade das instalações educativas, são
outros tantos elementos que devem entrar nesse discernimento.
As
altas remunerações dos Irmãos enquanto professores também podem trazer, em
certos países, problemas ao nosso estilo de vida sóbrio e simples. As
Comunidades que dispõem de receitas elevadas podem encontrar dificuldades para
manter sua opção real de vida simples.
Separar
a gestão econômica. A tendência atual e já real em muitos casos, embora por
opções diversas, é uma clara separação da gestão econômica daquilo que
se refere à vida dos Irmãos e dos projetos educativos ou apostólicos.
Igualmente, uma separação mais clara de locais e serviços. Esta separação,
tanto na localização como na gestão, pode e deve favorecer decisões corajosas
sobre nossos gastos pessoais e comunitários, independentes das possíveis exigências
da qualidade dos serviços educativos, que nos permitam estilos de vida mais
coerentes com nossos habituais discursos sobre a simplicidade, o testemunho e a
solidariedade.
Apelo
a um estilo simples e profético de vida. Ainda não nos situamos com atitude
profética ante a economia liberal e do consumo hoje reinantes. Esta nos influi
nos aspectos referentes ao nível de vida pessoal e comunitário, como serviços,
equipamentos, veículos, lazer, padrão de residência e de instalações escolares,
etc. Também pode criar uma mentalidade que nos leve a valorizar as pessoas por
aquilo que possuem e não pelo que são. A vida religiosa será cada vez mais
irrelevante em poder, influências e prestígio. Porém, terá de ganhar em
importância de profecia, mensagem e esperança. Na sua Província, que aspectos
da vida pessoal e comunitária refletem mais claramente essa opção profética? Que aspectos a obscurecem?
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