Índice | Palavras: Alfabética - Freqüência - Invertidas - Tamanho - Estatísticas | Ajuda | Biblioteca IntraText
Instituto dos Irmãos Maristas
A propósito de nossos bens

IntraText CT - Texto

  • III ASPECTOS QUE NECESSITAM DE DISCERNIMENTO E CONCRETIZAÇÃO
Precedente - Sucessivo

Clicar aqui para desativar os links de concordâncias

III
ASPECTOS QUE NECESSITAM DE DISCERNIMENTO E CONCRETIZAÇÃO

Na Vida dos Irmãos e Comunidades:

 

23. O nível de vida das comunidades - os lugares, as casas, os equipamentos, o serviço, os gestos, os orçamentos.

      A casa onde vive a comunidade exerce um papel importante porque é ali que podemos encontrar-nos como família e satisfazer normalmente as necessidades básicas da vida humana: as psicológicas e da intimidade, as espirituais próprias de uma vida consagrada. Querer que todos sejam e ajam de forma igual costuma estar em contradição com a caridade e a fraternidade. Talvez não sejam harmonizáveis todos os pontos de vista e sensibilidades, mas não é saudável decidir sem discernimento ou simplesmente para não desagradar determinados Irmãos.

      Em algumas ocasiões pode ser difícil chegar a um acordo em comunidade sobre "o desprendimento", particularmente naquilo que tange à própria comunidade, e não me refiro apenas às comunidades maristas. Contudo, supõe-se que os religiosos e religiosas deveriam ser peritos na matéria ! Nossas Constituições definem a exigência mínima que o voto de pobreza implica: "Renunciamos a usar e a dispor de qualquer dinheiro ou de outro bem material, de algum valor, sem autorização" (C. 29). Também assinalam o idealismo intrínseco de quem se atreve a seguir a Cristo "que se fez pobre por nós" (Fil.2), e o que isso significa para nós, para os demais e para a própria Igreja. Que sinais tornam visível esse idealismo para os que vivem ao nosso derredor ?

      Tenho a impressão de que, em geral e em todos os continentes, as comunidades religiosas têm um nível de vida equivalente à classe média-alta do respectivo país. Parece que as pessoas costumam ver-nos assim, e eu mesmo faço essa avaliação, embora não tenha conseguido encontrar estudos para fundamentar esse sentimento pessoal. Talvez eu esteja equivocado ou minhas impressões sejam generalizadas. Em sua Província, o que ocorre a respeito disso? Creio que devemos ter a coragem de fazer um estudo sério da nossa situação, reconhecê-la com sinceridade e tomar as medidas adequadas que, por sua coerência e visibilidade, nos dêem credibilidade diante do povo de Deus.

24. Não estou pensando em um nível de vida igual para todas as comunidades do Instituto, já que é preciso levar em conta as circunstâncias dos diferentes lugares e contextos. Não importa qual seja a situação econômica de uma Província, temos de procurar que nossos Irmãos vivam de maneira digna e aceitável, sabendo que não podem desligar-se do vínculo que possuem com o povo onde vivem. Num país pobre os Irmãos não deveriam viver como ricos e nos países chamados industrializados os Irmãos deveriam viver com simplicidade e sobriedade. E oxalá que muitas comunidades se atrevam a viver austeramente para partilhar com os necessitados, sendo "profecia" e "Boa nova de Jesus" nessa realidade. Não seria precisamente nesses contextos que somos chamados a ser essa profecia contracultural?

      Visitando uma Província, percebi que os Irmãos bebiam somente água durante as refeições. No dia da Assembléia tiveram cerveja. Estranhei, mas a resposta do Irmão Provincial encheu-me de alegria: "O preço de uma cerveja é quase o mesmo que a comida de todo um dia. Se não vivêssemos assim não poderíamos trabalhar com os pobres". Este fato evoca a experiência dos primeiros Irmãos em l'Hermitage, que viviam com sobriedade para não encarecer os honorários nas escolas.

      Há alguns anos, criaram-se comunidades em meios populares ou fora da grande estrutura escolar e, sem dúvida, trouxeram algumas vantagens. Mas nem sempre temos aproveitado dessa oportunidade para recuperar um novo estilo comunitário, não somente de moradia, de sobriedade e de simplicidade de vida, senão de relações humanas, de comunicação e partilha. Visitando algumas dessas comunidades, tive a impressão de estar numa comunidade que repetia os esquemas do restante das comunidades da Província, porque tinham o mesmo que antes, inclusive com mais pessoal de serviço. Que critérios existem em sua comunidade diante da qualidade dos carros, do número de empregados e do nível de vida que desejam ter? Ou seja, como querem viver? Por que assim?

      É salutar que as pessoas e a comunidade sintamos que temos em demasia e, em conseqüência, tomemos decisões de ir aliviando peso, cultivar a sensibilidade ante a necessidade dos demais e abrir as janelas para ver o que ocorre na periferia ou ao nosso lado. Uma comunidade deveria conhecer as necessidades do ambiente que a cerca e sentir-se tão solidária quanto diante de catástrofes num país distante, através do apoio a projetos que outras instituições humanitárias ou de caridade realizam nesse país ou na região.

25. Há meios que podem ser convenientes nas obras educativas mas que não são adequados na comunidade. Com liberdade e para ajudá-los a prosseguir e realizar esse ponto, ofereço-lhes algumas sugestões. Certamente encontrarão outras mais acertadas ao refletir sobre estas comunitariamente:

 




Precedente - Sucessivo

Índice | Palavras: Alfabética - Freqüência - Invertidas - Tamanho - Estatísticas | Ajuda | Biblioteca IntraText

IntraText® (V89) Copyright 1996-2007 Èulogos SpA