|
C) A ASCESE
36. Caminhar seguindo o
Cristo leva a compartilhar cada vez mais consciente e concretamente o
mistério da sua paixão, da sua morte e da sua
ressurreição. O mistério pascal deve ser como o
núcleo dos programas de formação, fonte de vida e de
maturidade. Sobre este fundamento se forma o homem novo, o religioso e o
apóstolo. 39 Isso nos leva a recordar a necessidade
indispensável da ascese na formação e na vida dos
religiosos. Num mundo de erotismo, de consumo e de toda sorte de abuso de
poder, necessitam-se testemunhas do mistério pascal de Cristo, cuja
primeira etapa passa obrigatoriamente pela cruz. Este passo leva a incluir no
programa de uma formação integral, uma ascese pessoal cotidiana
que encaminhe os candidatos, noviços e professos ao exercício das
virtudes de fé, esperança, caridade, prudência,
justiça, fortaleza e temperança. Esse programa não tem
idade e não pode passar de moda. É sempre atual e sempre
necessário. Sem adotá-lo, não se pode viver o
próprio batismo e menos ainda ser fiel à própria
vocação religiosa. Será seguido melhor se, como acontece
com todo o conjunto da vida cristã, está motivado pelo amor de
nosso Senhor Jesus Cristo e pela satisfação de servi-lo.
Mais: o povo cristão tem necessidade de
peritos que o ajudem a percorrer «o caminho real da Santa Cruz». Tem
precisão de testemunhas que renunciem ao que São João chama
«o mundo» e «suas vaidades» e também a «este mundo» criado e conservado
pelo amor do Criador e alguns dos seus valores. O Reino de Deus, do qual a vida
religiosa «manifesta (sua) elevação sobre todo o
terreno»,40 não é deste mundo. Precisam-se de testemunhas
que o digam. Naturalmente, isso supoe, ao longo da formação, uma
reflexão sobre o sentido cristão da ascese algumas
convicções bem fundamentadas sobre Deus e suas
relações com o mundo saído das suas maos, porque se trata
de preservar-se tanto de um otimismo ingênuo e naturalista, por uma
parte, como de um pessimismo que se esquece do mistério de Cristo
criador e redentor do mundo, por outra.
|