41. «Um estudo profundo dos
fundamentos antropológicos da condição masculina e
feminina» levará a «precisar a identidade pessoal própria da
mulher em sua relação de diversidade e de complementariedade
recíproca com o homem; e isso não somente naquilo que se refere
aos papéis a exercer e às funções a assumir, mas
também e mais profundamente naquilo que visa a estrutura da pessoa e a
sua significação».46 A história da vida religiosa
atesta que muitas mulheres, na clausura ou no mundo, encontram nela um lugar
ideal de serviço a Deus e aos homens, as condições
favoráveis para a realização da sua própria
feminilidade e, consequentemente, uma compreensão mais profunda da sua identidade.
Esse aprofundamento deve continuar ainda graças à reflexão
teológica e à contribuição oferecidas pelas
diferentes ciências humanas e as diversas culturas. 47
Enfim, não se deve esquecer, para uma melhor
percepção da especificidade da vida religiosa feminina, que «a
figura de Maria de Nazaré projeta luz sobre a mulher enquanto tal pelo
mesmo fato de que Deus no sublime acontecimento da encarnação do
Filho, recorreu ao serviço livre e ativo de uma mulher.
Portanto, pode-se afirmar que a mulher, ao olhar
para Maria, encontra nela o segredo para viver dignamente a sua feminilidade e
para levar a termo a sua verdadeira promoção. À luz de
Maria, a Igreja lê no rosto da mulher os reflexos de uma beleza, que
é espelho dos mais altos sentimentos de que é capaz o
coração humano: plenitude do dom de si suscitado pelo amor, a
força que sabe resistir aos maiores sofrimentos, a fidelidade ilimitada,
a laboriosidade infatigável e a capacidade de conjugar a intuição
penetrante com a palavra de apoio e de estímulo». 48
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