47. Como se deduz dessa lei
geral, a iniciação integral que caracteriza o noviciado vai muito
mais além de um simples ensino. Ela é:
iniciação ao conhecimento profundo e
vivo de Cristo e do seu Pai. Isso supõe um estudo meditado da Escritura,
a celebração da liturgia segundo o espírito e o
caráter do instituto, uma iniciação à
oração pessoal e à sua prática, bem como ao costume
e ao gosto de aproximar-se dos grandes autores da tradição
espiritual da Igreja, sem limitar-se a leituras espirituais de moda;
iniciação a entrar no mistério
pascal de Cristo através do desprendimento de si mesmo, especialmente na
prática dos conselhos evangélicos segundo o espírito do
instituto, uma ascese evangélica gozosamente assumida e uma
aceitação animada do mistério da cruz;
iniciação à vida fraterna
evangélica. Efetivamente, na comunidade a fé se aprofunda e se
faz comunhão e a caridade encontra suas múltiplas
manifestações no concreto da vida cotidiana;
iniciação à história,
à missão própria e à espiritualidade do instituto.
Aqui intervém, entre outros elementos e para os institutos dedicados ao
apostolado, o fato que «para completar a formação dos
noviços, as constituições podem prescrever, além do
tempo estabelecido no parágrafo 1 (isto é, os doze meses passados
na mesma comunidade do noviciado), um ou mais períodos de
exercício do apostolado fora da comunidade do noviciado».10
Esses períodos tem como objectivo ensinar os
noviços «a realizar progressivamente em sua vida aquela coerente e
harmoniosa unidade que deve existir entre a contemplação e a
ação apostólica, unidade que é um dos valores fundamentais
desses institutos».11
A organização desses períodos
deve ter em conta os doze meses que se devem fazer na mesma comunidade do
noviciado, durante os quais «os noviços não se ocuparão de
estudos nem de trabalhos que não contribuam diretamente à (sua)
formação».12
O programa da formação do noviciado
deve ser definido pelo direito próprio. 13
È desaconselhável que o noviciado se
desenvolva num ambiente estranho à cultura e à lingua de origem
dos noviços. Com efeito, são preferíveis os pequenos
noviciados, sob condição de que estejam enraizados nesta cultura.
A razão essencial é a de não multiplicar os poblemas
durante uma etapa da formação, na qual devem achar o seu
próprio lugar os equilíbrios fundamentais da pessoa, na qual as relações
entre os noviços e o mestre de noviços devem ser fáceis,
dando-lhes a possibilidade de explicarem-se mutuamente com todos os matizes
requeridos para um caminho espiritual inicial e intensivo. Além disso, a
transferência para outra cultura neste momento comporta o risco de acolher
falsas vocações e de não perceber eventuais falsas
motivações.
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