PARA QUE A
FORMAÇÃO CONTINUADA ?
67. A formação continuada está
motivada pela iniciativa de Deus que chama a cada um dos seus em todos os
momentos e em circunstâncias novas. O carisma da vida religiosa num
instituto determinado é uma graça viva que pede ser recebida e
vivida em condições de existência, muitas vezes,
inéditas. «O próprio carisma dos fundadores (ET 11) se revela
como uma experiência do espírito transmitida aos seus
discípulos, para ser por eles vivida, guardada, aprofundada e
desenvolvida constantemente em sintonia com o Corpo de Cristo em perene
crescimento (...). O caráter carismático próprio de todo
instituto requer tanto por parte do fundador, quanto por parte dos
discípulos, o verificar continuamente a própria fidelidade ao
Senhor, a docilidade ao seu Espírito, a atenção inteligente
às circunstâncias e aos sinais dos tempos, a vontade de
inserção na Igreja, a predisposição à
subordinação à hierarquia, a audácia nas
iniciativas, a constância na entrega, a humildade em superar os
contratempos (...). Nosso tempo exige dos religiosos, de maneira especial, esta
autenticidade carismática viva e hábil nas suas
invenções, que claramente se destaca nos fundadores».44
A formação permanente exige que se
preste uma atenção particular aos sinais do Espírito no
nosso tempo e deixar-se sensibilizar por eles, para poder-lhes dar uma resposta
apropriada.
Além disso, a formação
contínua é um dado sociológico que, em nossos dias, afeta
todos os campos da atividade profissional. Muitas vezes condiciona a
permanência numa profissão ou a passagem obrigatória de uma
profissão a outra.
Enquanto que a formação inicial
estava ordenada à aquisição pela pessoa de uma suficiente
autonomia para viver na fidelidade aos seus compromissos religiosos, a
formação contínua ajuda o religioso a integrar a criatividade
na fidelidade. Pois a vocação cristã e religiosa reclama
um crescimento dinâmico e uma fidelidade nas circunstâncias
concretas de existência, o que exige uma formação
espiritual interiormente unificante, porém flexível e atenta aos
acontencimentos cotidianos da vida pessoal e da vida do mundo.
«Seguir a Cristo » significa pôr-se sempre em
marcha, evitar a esclerosização e a paralização
espiritual, para ser capaz de dar um testemunho vivo e verdadeiro do Reino de
Deus neste mundo.
Em outras palavras, poder-se-iam estabelecer tres
razões fundamentais que motivam a formação permanente:
— a primeira se deduz da própria
função da vida religiosa no seio da Igreja. Exerce nela um papel
carismático e escatológico muito significativo que supõe
nas religiosas e nos religiosos uma atenção especial à
vida do Espírito, tanto na história pessoal de cada uma e de cada
um, quanto na esperança e na angústia dos povos;
— a segunda provém dos desafios que o futuro
da fé cristã representa num ndo que muda numa velocidade
acelerada; 45
— a terceira toca a própria vida dos
institutos religiosos e, sobretudo, o seu futuro, que depende, em parte, da
formação permanente dos seus membros.
|