UMA VIDA
UNIFICADA NO ESPÍRITO SANTO
17. «Os que professam os conselhos
evangélicos busquem e amem, antes de tudo, a Deus que nos amou primeiro
(1 Jo 4, 10) e, em toda ocasião, se apliquem a manter a vida
escondida com Cristo em Deus (cf. Col. 3, 3), donde emana e urge o amor
ao próximo para a salvação do mundo e a
edificação da Igreja. 41 Essa caridade que vivifica e
ordena ainda a própria prática dos conselhos angélicos,
está infundida nos corações pelo Espírito de Deus,
que é Espírito de unidade, de harmonia e de
reconciliação, não só entre as pessoas, mas
também no interior delas mesmas.
Eis aqui porque a vida pessoal de um religioso ou
de uma religiosa não deveria poder experimentar divisão nem entre
o fim genérico de sua vida religiosa e o fim específico de seu
instituto, nem entre a consagração a Deus e o envio ao mundo, nem
entre a vida religiosa como tal, por uma parte, e as atividades
apostólicas, por outra. Não existe concretamente uma vida
religiosa «em si» na qual se incorpora, como um complemento subsidiário,
o fim específico e o carisma particular de cada instituto. Não
existe nos institutos dedicados ao apostolado um caminho de santidade, nem de
profissão dos conselhos evangélicos, nem de vida dedicada a Deus
e a seu serviço, que não estejam intrinsecamente ligados ao
serviço da Igreja e do mundo. 42 Mais ainda, «a
ação apostólica e beneficente pertencem à natureza
da vida religiosa», até tal ponto que «toda a vida religiosa (...) deve
estar imbuída de espírito apostólico e toda a
ação apostólica deve estar informada pelo espírito
religioso».43 0 serviòo ao próximo não divide nem separa
o religioso de Deus. Se está animado por uma caridade autenticamente
teologal, esse serviço cobra valor de serviço a Deus. 44
E se pode afirmar tambem, com razão, que «o apostolado de todos os
religiosos consiste, em primeiro lugar, no testemunho de sua vida
consagrada».45
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