II
ASPECTOS COMUNS A TODAS AS ETAPAS DA
FORMAÇÃO NA VIDA RELIGIOSA
A) AGENTES E NÍVEIS DE
FORMAÇÃO O ESPÍRITO DE DEUS
19. É Deus mesmo que
chama à vida consagrada no seio da Igreja. É ele quem, ao longo
de toda a vida do religioso, conserva a iniciativa: «Fiel á aquele que
vos chama: e é ele quem o fará».1 Do mesmo modo que Jesus
não se contentou com chamar os seus discípulos, mas que os educou
pacientemente durante a vida pública, assim depois da sua
ressurreição, continuou por meio do seu Espírito «conduzindo-os
à verdade completa».2 Este Espírito, cuja
ação é de uma ordem diferente da dos dados da psicologia
ou da história visivel, mas que age no mais secreto do
coração de cada um de nós, para manifestar-se depois em
frutos patentes: Ele é o Espírito de Verdade que «ensina»,
«chama», «guia».3 Ele é «a unção» que «faz
gostar», apreciar, julgar, optar. 4 Ele é o advogado-consolador
que «vem em auxílio de nossa debilidade», sustenta e dá o
espírito filial. 5 Essa presença discreta, mas decisiva,
do Espírito de Deus exige duas atitudes fundamentais: a humildade que se
abandona à sabedoria de Deus, a ciência e a prática do
discernimento espiritual. É importante, de fato, poder reconhecer a
presença do Espírito em todos os aspectos da vida e da
história e através das mediações humanas. Entre
estas últimas, é necessário salientar a abertura a um guia
espiritual, suscitada pelo desejo de ver claro em si mesmo e pela
disponibilidade para deixar-se aconselhar e orientar a fim de discernir
corretamente a vontade de Deus.
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