24. Será, pois,
necessário desenvolver nas religiosas e religiosos uma maneira de
«sentir» não só «com», mas também, como disse Santo
Inácio de Loyola, «na» Igreja. 20 Este sentido da Igreja
consiste em ter consciência de que se pertence a um povo em marcha. Um
povo que tem origem na comunhão trinitária, que se enraíza
numa história, que se apóia sobre o fundamento dos
apóstolos e sobre o ministério pastoral dos seus sucessores, que
reconhece no Sucessor de Pedro o Vigário de Cristo e chefe
visível de toda a Igreja. Um povo que encontra na Escritura, na
Tradição e no Magistério, o tríplice e único
canal pelo qual lhe chega a Palavra de Deus; que aspira à unidade
visível com as outras comunida-cristãs não
católicas. Um povo que não ignora as mudanças ocorridas
através dos séculos, nem as diversidades legítimas atuais
na Igreja, mas que se aplica mais em descobrir a continuidade e a unidade, que
são ainda mais reais. Um povo que se identifica como Corpo de Cristo e
que não separa o amor a Cristo daquele que deve ter à sua Igreja,
consciente de que ele representa um mistério, o próprio
mistério de Deus em Jesus Cristo por seu Espírito, infundido e
comunicado à humanidade de hoje e de sempre. Um povo, por conseguinte,
que não aceita ser percebido nem analisado somente a partir do ponto de
vista sociológico ou político, porque a parte mais
autêntica da sua vida escapa à atenção dos
sábios deste mundo. Enfim, um povo missionário que não se
contenta com ver a Igreja como um «pequeno rebanho», mas que não cessa
até que o Evangelho seja anunciado a toda pessoa humana e que o mundo
saiba que «não há debaixo do céu outro nome dado aos
homens pelo qual possamos ser salvos» (At 4, 12) a não ser o de
Jesus Cristo (cf. LG 9).
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