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Congregações Scalabrinianas dos Missionários
e Missionárias de São Carlos
Scalabrini Uma voz atual

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  • PRIMEIRA PARTE       HOMEM DE DEUS E PARA DEUS
    • 2. “VIVO NA FÉ DE JESUS CRISTO”
      • e) FÉ E RAZÃO SÃO IRMÃS
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e) E RAZÃO SÃO IRMÃS

 

“A razão e a , filhas do mesmo Pai Celeste.”

 

             A é muito superior à razão, mas uma não deve estar em contradição com a outra; o que é verdadeiro para uma, não deve ser falso para outra, ou que se hostilizem reciprocamente, no próprio desenvolvimento. Quem pretende encontrar este contraste, é certo que, ou entendeu mal a por não ter idéia clara do seu verdadeiro ensinamento, ou falsificou a razão, classificando os próprios sofismas como bons argumentos. E como poderia ser diferente, se estas duas luzes partem da mesma fonte? Filhas do mesmo Pai celeste, a razão e a são duas vertentes da única verdade, são dois raios da mesma luz, são duas irmãs que se dão as mãos, na viagem deste século tenebroso, unem-se reciprocamente e se socorrem, com uma aliança indissolúvel e perfeita. A , com as suas doutrinas, ilumina e enobrece a razão. A razão, com justas pesquisas, coloca em evidência a verdade da . Uma com seus subsídios prega as maravilhas da outra, e a outra com seus mistérios torna-se não somente parte integral da razão, mas é a sua coroa, triunfo e apoteose. 43

 

 “A não teme a discussão, teme a ignorância.”

 

             A não teme a discussão, não teme a luz. Teme a ignorância, teme a ciência superficial e leviana, esta falsa ciência, que sempre deu e oferece ainda hoje, o mais largo contingente à incredulidade. Vós me dizeis, de fato: Em nossos dias são muitos os que sentem a necessidade e o dever de acrescentar aos elementos do Catecismo aprendidos na juventude, um estudo sério e profundo da religião? Quem folheia os livros dos apologistas, antigos e modernos, que colocam em evidência as provas racionais da religião, que mostram as sublimes analogias e belezas, que rebatem as dificuldades e calúnias onde elas aparecem? Será muito se lhes conhecem o nome. Como admirar-se portanto se aqueles, embora providos de engenho, não saibam em matéria de , aquilo que sabem as crianças? Entendem de tudo: de filosofia,


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de matemática, de história, de literatura, mas ignoram o mais importante: a ciência da religião, ou têm um conhecimento incompleto, misturado com o erro, e pré-juízos vulgares, aprendidos na leitura de jornais céticos e blasfemos, estudados nos livros de moda, nos romances, que tudo alteram e confundem, em livros históricos caluniosos ou mentirosos, nos espetáculos e dramas teatrais mais desavergonhados, nos bancos de um liceu ou de uma universidade, onde mestres, muitas vezes descrentes, fazem dela alvo dos seus gracejos e de seus motejos. 44

 

“O mais irrestrito dever de contribuir ao triunfo da e da ciência”.

 

           Beatíssimo Padre.

O Comitê constituído, em Placência, sob a presidência honorária do Ordinário, para promover, adesões, entre os italianos, para o Congresso Científico Internacional, que os doutos Católicos farão em agosto do próximo ano, em Friburgo, na Suíça, coloca aos pés de vossa Santidade um exemplar da circular que julga por bem difundir entre os católicos estudiosos. E suplica à vossa Sanidade que abençoe os esforços do mesmo, a fim de que os italianos concorram, em número digno da Nação, que gloriosa pelo insigne privilégio de ter no próprio seio a sede do Infalível Mestre da , tem também o mais irrestrito dever de contribuir para o triunfo da e da ciência.

             Digne-se Vossa Santidade abençoar o Comitê Italiano e os abaixoassinados que prostrados ao beijo do sagrado se dizem com alegria.

             De vossa Santidade

             Humílimos Filhos

             U João Batista, Bispo de Placência, Presidente Honorário

            Alberto Barberis, C. M., Presidente 45

 

 

 “A função da ciência é fazer as almas voltarem para Deus.”

 

             Em setembro de 1894 completava-se, pela terceira vez, um acontecimento de grande importância para a religião e para a ciência.


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             Doutos católicos de todas as nações, belgas e franceses em maior número, alemães, austríacos, húngaros, suíços, espanhóis e americanos, não sem alguns representantes da nossa Itália, reuniram-se em Bruxelas, para encontros da sabedoria cristã, diante da Igreja e do mundo (...).

        No Congresso, todas as ciências encontraram em lugar digno, a começar por todas as doutrinas religiosas-apologéticas, depois as filosóficas, as ciências sociais e jurídicas, as doutrinas históricas e filológicas, as disciplinas matemáticas, físicas e naturais. A tão completa enciclopédia do saber, não faltava o ornamento da estética cristã.

          Tamanho tesouro de multiformes conhecimentos científicos e de serenas discussões, confiado aos nove volumes dos Atos do Congresso, para testemunhar os avanços conseguidos, não pode permanecer sem frutos. Se, somente um douto, que harmonize em si a ciência e a , é dignidade e refúgio para a re1igião e para a sociedade, pode-se bem confiar que uma numerosa e escolhida assembléia de doutos e de estudiosos cristãos, de cada nação, obrigará o mundo pervertido por uma ciência cética e anti-cristã, ao menos a respeitar uma religião, cujos raios fecundantes aviva cada flor do saber. Antes, não poucas das criações mais nobres, não remuneradas pelas maravilhosas conquistas da ciência, na ordem material, são atormentadas pela necessidade de atingir aos mais altos problemas da vida, encontrarão conforto, elevando mais alto o coração na contemplação das harmoniosas e seguras soluções que lhe presta a ciência humana, mediante a luz da . E enquanto o trabalho contínuo e simultâneo, em todos os ramos da árvore científica, coordenado à unidade neste encontro universal de doutos, acumulará copiosos e multiforme material, tornar-se-á mais formoso o edifício da Apologética católica. Isto obrigará a razão especulativa e a observação positiva, sobre linhas de uma critica imparcial e severa, tributar homenagem à religião e entoar o hino da ciência à verdade do Cristianismo, graças à qual todos os aspectos do verdadeiro descobrem garantia, esplendor e ordenada cooperação com Deus: “aqueles que estão em Deus, na mesma proporção e reciprocamente, têm Deus neles.” (S. Tom.)

             As felizes experiências do passado, e as alegres e infalíveis expectativas do futuro são, desde agora, exuberante argumento aos abaixo-assinados para dar andamento cuidadoso, ta Itália, à preparação do IV Congresso Internacional Científico aos Católicos. Já deliberado para agosto do ano de 1897, em Friburgo, na Suíça; para o qual estes já foram confirmados pela Comissão permanente dos Congressos Científicos Internacionais, no Comitê promotor italiano.


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             Além de contribuir a tal intento, acrescentam-se motivos de grande honra para a nossa pátria, enquanto por um conjunto de circunstâncias o nosso país, no Congresso de Bruxelas, entre 2.500 adesões de todas as nações, só contava 74 italianos, dos quais somente dois intervieram pessoalmente às sessões (...).

U João Batista Scalabrini, Bispo de Placência, Presidente honorário;

 

           A. Barberis, Professor do Colégio Alberoni, Membro da Comissão permanente para as obras dos Congressos Científicos, Internacionais dos Católicos, Presidente do Comitê italiano, Placência;

 

             Barone Demateis                                Dom Cano Brera

             Dr. G. Toniolo                                     Teol. L. Biginelli

             Mons. L. Brevedan                              Pe. de Martinis

Conde E. D. Soderini                         Pe. I. Torregrossa 46

 

“A grande obra do reflorescimento da Filosofia Tomista”.

 

             No colóquio que tive com V.E.R. que me deixou tão feliz, aconteceu o discurso sobre o divino Tomás e sobre a obra do ab. Luis Francardi. Sobre o primeiro, o Senhor deve ter recebido fascículos e ouso pedir-lhe. Exmo. Príncipe, dar-me o seu respeitável parecer. A revista criada, com a finalidade de cooperar com a grande obra do reflorescimento da filosofia Tomista, iniciada nosso glorioso Santo Padre, é lida com geral satisfação, procurada no exterior e conta com um bom número de assinantes entre os doutos, também leigos. Um Rosminiano me dizia, há alguns dias: do divino Tomás tirei a convicção de que Rosmini não é Santo Tomás.

             Anseio, portanto, que a revista periódica prospere em favor da boa causa e é por isso que V. E. deve me fazer o favor, o que peço também em nome do Diretor, de dar-me claramente o seu parecer, todos os pontos a retratar e reformar qualquer expressão, que não seja lealmente conforme à doutrina do Doutor Angélico (...).

             Estou preparando o Decreto para o Patronato de Santo Tomás para produzir a explicação da Suma Contra Gentios e também as outras obras,


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para organizar deste modo uma verdadeira Academia, sem contendas, e lembrar que o atual Colégio Teológico de Santo Tomás possui uma belíssima Capela, dedicada ao Santo e tem excelentes Estatutos, elogiados pela Santa . Eu creio que esta volta aos verdadeiros princípios será uma das glórias mais belas do pontificado do nosso Santo Padre e que não obstante as polêmicas impetuosas que atrasam em vez de facilitar a finalidade nobilíssima do Santo Padre e o espírito de partido, que domina aqueles que talvez nunca Viram o cartão de uma obra de Santo Tomás, coisa inevitável entre os homens, o senhor alcance seu alto intento, garantindo assim um lugar muito distinto na série dos Sucessores de São Pedro. Se tiver oportunidade, coloque-me aos pés do grande Pontífice e implore para mim uma bênção. 47

 

“A Igreja se avantaja sempre com o profundo trabalho intelectual de seus filhos.”

 

            Não participo inteiramente dos vossos temores, quanto às debatidas questões bíblicas. É Jesus Cristo que governa a Igreja, sempre favorecida com o profundo trabalho intelectual dos seus filhos. Será necessário certamente grande sagacidade, para que ninguém e sob nenhum pretexto, atente à arca santa. Mas esta não faltará. 48




43.           Carta Pastoral (...) pela Santa Quaresma de 1881. Placência, pp. 15-16.



44Homilia da Epifânia, 1905 (AGS 3016/3).



45.     Carta a Leão XIII, junho de 1896 (ASV-SE, Rub. 43/1896, Prot. n. 31372).



46. Circular para o Congresso Científico Internacional dos Católicos, Friburgo, na Suíça, 1897, 1-6-1897.



47.           Carta ao Cardeal José Pecci, 1881 (AGS 3020/3).



48.   Carta a G. Bonomelli (Correspondência S.B., pp. 383-384) Bonomelli havia manifestadotemor” pela orientação da crítica bíblica, indicada nos primeiros escritos de Loisy.






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