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Ioannes Paulus PP. II
Ecclesia in America

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Os encontros com o Senhor no Novo Testamento

8. Os Evangelhos mencionam numerosos encontros de Jesus com homens e mulheres da sua época. Uma característica comum a todas estas narrações é a força transformadora que encerram e manifestam os encontros com Jesus, visto que « desencadeiam um autêntico processo de conversão, comunhão e solidariedade ».(11) Um dos encontros mais significativos é o da samaritana (cf. Jo 4, 5-42). Jesus a chama para saciar sua sede, que não era só material: na verdade, « Aquele que lhe pedia de beber, tinha sede da fé da mulher mesma ».(12) Dizendo-lhe « dá-Me de beber » (Jo 4, 7) e falando-lhe de água viva, o Senhor suscita na samaritana uma pergunta, quase uma súplica, cujo verdadeiro objetivo supera algo que ela, naquele momento, não é capaz de compreender: « Senhor, dá-me dessa água, para eu já não ter mais sede » (Jo 4, 15). Na verdade, a samaritana, mesmo se « ainda não compreende »,(13) está pedindo aquela água viva de que fala o seu divino Interlocutor. Quando Jesus lhe revela a própria messianidade (cf. Jo 4, 26), a samaritana sente-se movida a ir anunciar aos seus conterrâneos a descoberta do Messias (cf. Jo 4, 28-30). Da mesma forma, quando Jesus encontra Zaqueu (cf. Lc 19, 1-10), o fruto mais precioso é a conversão do publicano, que toma consciência das injustiças cometidas e decide devolver com largueza — « o quádruplo » — a quem tinha defraudado. Além disso, assume uma atitude de desprendimento dos bens materiais e de caridade para com os indigentes, que leva-o a dar aos pobres a metade das suas posses.

Uma menção especial merecem os encontros com Cristo ressuscitado, narrados no Novo Testamento. Graças ao seu encontro com o Senhor, Maria Madalena supera o desânimo e a tristeza causados pela morte do Mestre (cf. Jo 20, 11-18). Na sua nova dimensão pascal, Jesus convida-a ir anunciar aos discípulos que Ele ressuscitou: « Vai a meus irmãos » (Jo 20, 17). É por isso que Maria Madalena pôde ser chamada « a apóstola dos apóstolos ».(14) Por sua vez, os discípulos de Emaús, depois de terem encontrado e reconhecido o Senhor ressuscitado, voltam para Jerusalém para contar aos apóstolos e aos outros discípulos o que lhes tinha acontecido (cf. Lc 24, 13-35). Jesus, « começando por Moisés, percorrendo todos os profetas, explicava-lhes o que dEle se achava dito em todas as Escrituras » (Lc 24, 27). Mais tarde, eles reconhecerão que o seu coração se abrasava enquanto o Senhor, ao longo do caminho, conversava com eles e lhes explicava as Escrituras (cf. Lc 24, 32). Não resta dúvida de que S. Lucas, ao narrar este episódio, e especialmente o momento decisivo no qual os dois discípulos reconhecem a Jesus, alude explicitamente às narrações da instituição da Eucaristia, ou seja, ao comportamento de Jesus na Última Ceia (cf. Lc 24, 30). O evangelista, para contar o que os discípulos de Emaús narram aos Onze, utiliza uma expressão que, na Igreja primitiva, possuia um preciso significado eucarístico: « O tinham reconhecido ao partir o pão » (Lc 24, 35).

Entre os encontros com o Senhor ressuscitado, um dos que tiveram uma influência decisiva na história do cristianismo foi, sem dúvida, a conversão de Saulo, o futuro Paulo, apóstolo das gentes, no caminho para Damasco. Foi ali que se deu a mudança radical da sua vida, passando de perseguidor a apóstolo (cf. At 9, 3-30; 22, 6-11; 26, 12-18). O mesmo Paulo fala desta extraordinária experiência como uma revelação do Filho de Deus, « a fim de que eu O tornasse conhecido entre os gentios » (Gal 1, 16).

O convite do Senhor respeita sempre a liberdade dos chamados. Existem certos casos em que o homem, encontrando-se com Jesus, resiste à mudança de vida para a qual Ele o convida. São numerosos os casos de pessoas contemporâneas de Jesus que O viram e ouviram, sem que, no entanto, tenham-se aberto à sua palavra. O Evangelho de S. João vê no pecado a causa que impede o ser humano de abrir-se à luz que é Cristo: « A luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más » (Jo 3, 19). Os textos evangélicos ensinam que o apegamento às riquezas constitui um obstáculo para receber a chamada a seguir total e generosamente a Jesus. Típico, a este respeito, é o caso do jovem rico (cf. Mt 19, 16-22; Mc 10, 17-22; Lc 18, 18-23).




11) Propositio 3.



12) S. Agostinho, Trat. in Joh., 15, 11: CCL 36, 154.



13) Ibid. 15, 17: l.c., 156.



14) « Salvator ...ascensionis suae eam (Mariam Magdalenam) ad apostolos instituit apostolam ». Rabano Mauro, De vita beatae Mariae Magdalenae, 28: PL 112, 1574. Cf. S. Pedro Damião, Sermo 56: PL 144, 820; Hugo De Cluni, Commonitorium: PL 159, 952; S. Tomás De Aquino, In Joh. Evang. expositio, 20, 3.






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