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| Ioannes Paulus PP. II Ecclesia in America IntraText CT - Texto |
Urgência da chamada à conversão
26. « Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: convertei-vos e crede no Evangelho » (Mc 1, 15). Estas palavras, com as quais Jesus deu início ao seu ministério na Galiléia, ressoam em continuação nos ouvidos dos Bispos, presbíteros, diáconos, pessoas consagradas e fiéis leigos de toda a América. Tanto a recente celebração do quinto centenário do início da evangelização da América, como a comemoração dos 2000 anos do nascimento de Jesus, o grande Jubileu que nos preparamos para celebrar, constituem idênticas chamadas a aprofundar a própria vocação cristã. A grandeza do acontecimento da Encarnação e a gratidão pelo dom do primeiro anúncio do Evangelho convidam a responder com prontidão a Cristo com uma conversão pessoal mais convicta e estimulam, ao mesmo tempo, a uma mais generosa fidelidade evangélica. A exortação de Cristo à conversão ecoa nestas palavras do Apóstolo: « Já é hora de despertardes do sono. A salvação está mais perto do que quando abraçamos a fé » (Rm 13, 11). O encontro com Jesus Cristo vivo leva à conversão.
No Novo Testamento, para falar de conversão é utilizada a palavra metanoia, que significa mudança de mentalidade. Não se trata só de um distinto modo de pensar a nível intelectual, mas da revisão à luz dos critérios evangélicos das próprias convicções vitais. A este respeito, S. Paulo fala de « fé que opera pela caridade » (Gal 5, 6). Por isso, a autêntica conversão deve ser preparada e cultivada através da piedosa leitura da Sagrada Escritura e da prática dos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia. A conversão leva à comunhão fraterna, porque permite compreender que Cristo é a cabeça da Igreja, seu místico corpo; impele à solidariedade, por conscientizar que o que fazemos pelos demais, mormente pelos mais necessitados, é feito a Cristo. Ela favorece, portanto, uma vida nova, na qual não haja separação entre fé e obras na resposta diária à chamada universal à santidade. É indispensável superar a fratura entre a fé e a vida, para que realmente se possa falar de conversão. Com efeito, a presença desta divisão faz do cristianismo um fato puramente nominal. Para ser verdadeiro discípulo do Senhor, o fiel deve ser testemunha da própria fé e « a testemunha, não só com palavras mas com a própria vida ». (68) Devemos ter presente as palavras de Jesus: « Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus » (Mt 7, 21). A abertura à vontade do Pai supõe uma total disponibilidade, que não exclua sequer o dom da vida: « O máximo testemunho é o martírio ». (69)