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| Ioannes Paulus PP. II Vita Consecrata IntraText CT - Texto |
Vida monástica no Oriente e no Ocidente
6. Os Padres sinodais das Igrejas católicas orientais e os representantes das outras Igrejas do Oriente puseram em destaque, nas suas intervenções, os valores evangélicos da vida monástica,que aparecera já nos primórdios do cristianismo e continua ainda florescente nos seus territórios, especialmente nas Igrejas ortodoxas.
Desde os primeiros séculos da Igreja, houve homens e mulheres que se sentiram chamados a imitar a condição de servo abraçada pelo Verbo encarnado, e puseram-se a segui-Lo vivendo de um modo específico e radical, na profissão monástica, as exigências derivadas da participação baptismal no mistério pascal da sua morte e ressurreição. Deste modo, fazendo-se portadores da Cruz (staurophóroi), comprometeram-se a tornar-se portadores do Espírito (pneumatophóroi), homens e mulheres autenticamente espirituais, capazes de em segredo fecundar a história, com o louvor e a intercessão contínua, com os conselhos ascéticos e as obras de caridade.Com a intenção de transfigurar o mundo e a vida enquanto se aguarda a visão definitiva do rosto de Deus, o monaquismo oriental privilegia a conversão, a renúncia a si próprio e a contrição do coração, a procura da esichia, isto é, da paz interior, e a prece incessante, o jejum e as vigílias, a luta espiritual e o silêncio, a alegria pascal pela presença do Senhor e pela expectativa da sua vinda definitiva, a oferta de si mesmo e dos próprios bens, vivida na santa comunhão do mosteiro ou na solidão eremítica.ambém o Ocidente praticou, desde os primeiros séculos da Igreja, a vida monástica, registando uma grande variedade de expressões tanto no âmbito comunitário como no eremítico. Na sua forma actual, inspirada especialmente em S. Bento, o monaquismo ocidental recolhe a herança de tantos homens e mulheres que, renunciando à vida levada no mundo, procuraram a Deus e a Ele se dedicaram, « sem nada antepor ao amor de Cristo ».Também os monges de hoje se esforçam por conciliar harmoniosamente a vida interior e o trabalho , no compromisso evangélico da conversão dos costumes, da obediência, da clausura, e na dedicação assídua à meditação da Palavra (lectio divina), à celebração da liturgia, à oração. Os mosteiros foram e continuam a ser, no coração da Igreja e do mundo, um sinal eloquente de comunhão, um lugar acolhedor para aqueles que buscam Deus e as coisas do espírito, escolas de fé e verdadeiros centros de estudo, diálogo e cultura para a edificação da vida eclesial e também da cidade terrena, à espera da celeste.