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Ioannes Paulus PP. II
Pastores Dabo Vobis

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48. O ponto culminante da oração cristã é a Eucaristia, que, por sua vez, se sitúa como "cume e fonte" dos Sacramentos e da Liturgia das Horas. Para a formação espiritual de todo e qualquer cristão, e especialmente do sacerdote, é inteiramente necessária a educação litúrgica, no pleno sentido de uma inserção vital no mistério pascal de Jesus Cristo morto e ressuscitado, presente e operante nos sacramentos da Igreja. A comunhão com Deus, fulcro de toda a vida espiritual, é dom e fruto dos sacramentos; e ao mesmo tempo é tarefa e responsabilidade que os sacramentos confiam à liberdade do crente, para que viva esta mesma comunhão nas decisões, opções, atitudes e acções da sua existência quotidiana. Nesse sentido, a "graça", que torna "nova" a vida cristã, é a graça de Jesus Cristo morto e ressuscitado, que continua a derramar o seu Espírito Santo e a santificar nos Sacramentos; tal como a "nova lei", que deve guiar e regular a existência do cristão, a graça é inscrita pelos sacramentos no "coração novo". Ela é ainda lei de caridade para com Deus e os irmãos, qual resposta e prolongamento do amor de Deus pelo homem, significado e comunicado pelos sacramentos. Pode-se compreender imediatamente o valor de uma participação "plena, consciente e activa" [142], nas celebrações sacramentais, para o dom e a tarefa daquela "caridade pastoral" que constitui a alma do ministério sacerdotal.

Isto vale sobretudo para a participação na Eucaristia, memorial da morte sacrificial de Cristo e da sua gloriosa ressurreição, "sacramento de piedade, sinal de unidade e vínculo de caridade" [143], banquete pascal no qual "se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é dado o penhor da glória futura" [144]. Ora os padres, na sua qualidade de ministros das coisas sagradas, são sobretudo os ministros do sacrifício da Missa [145]: o seu papel é absolutamente insubstituível, pois sem sacerdote não pode haver oferta eucarística.

Isto explica a importância especial da Eucaristia na vida e ministério sacerdotal, e consequentemente na formação espiritual dos candidatos ao sacerdócio. Com grande simplicidade e no propósito de ser extremamente concreto, repito: "Convém, portanto, que os seminaristas participem diariamente na celebração eucarística, de tal modo que depois assumam como regra da sua vida sacerdotal esta celebração quotidiana. Eles deverão ser também educados no sentido de considerar a celebração eucarística como o momento essencial do seu dia a dia, no qual participarão activamente, jamais se contentando com uma mera assistência rotineira. Enfim,os candidatos ao sacerdócio devem ser formados nas íntimas disposições que a Eucaristia promove: o reconhecimento pelos benefícios recebidos do Alto, pois a Eucaristia é acção de graças; a atitude oblativa que os impele a unir à oferta eucarística de Cristo, a própria oferta pessoal; a caridade alimentada por um sacramento que é sinal de unidade e de partilha; o desejo de contemplação e de adoração diante de Cristo realmente presente sob as espécies eucarísticas" [146].

Imperioso e muito urgente é o apelo a redescobrir, no âmbito da formação espiritual, a beleza e a alegria do sacramento da Penitência. Numa cultura que, com renovadas e cada vez mais subtis formas de autojustificação, se arrisca a perder fatalmente o "sentido do pecado", e, em consequência, a alegria consoladora do pedido de perdão (cf. Sal 51, 14) e do encontro com Deus "rico de misericórdia" (Ef 2, 4), urge educar os futuros presbíteros para a virtude da penitência, que é sapientemente alimentada pela Igreja nas suas celebrações e nos tempos do ano litúrgico e que encontra a sua plenitude no acramento da Reconciliação. Daqui brotam o sentido da ascese e da disciplina interior, o espírito de sacrifício e de renúncia, a aceitação da fadiga e da cruz. Trata-se de elementos da vida espiritual que muitas vezes se revelam particularmente árduos para tantos candidatos ao sacerdócio criados em condições relativamente cómodas e abastadas e por isso tornados menos dispostos e sensíveis a estes mesmos elementos pelos modelos de comportamento e pelos ideais veiculados pelos meios de comunicação social, mesmo nos países onde as condições de vida são mais limitadas e a situação juvenil se apresenta mais austera. Por isso, mas sobretudo para realizar, segundo o exemplo de Cristo Bom Pastor, a "radical entrega da si mesmo", própria dos sacerdotes, os Padres sinodais escreveram: "É necessário inculcar o sentido da cruz que está no coração do mistério pascal. Graças a esta identificação com Cristo crucificado, enquanto servo, o mundo pode reencontrar o valor da austeridade,da dor e mesmo do martírio, no interior da actual cultura embebida de secularismo, de avidez e de hedonismo" [147].




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