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Ioannes Paulus PP. II
Pastores Dabo Vobis

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A comunidade de origem e as associações e movimentos juvenis

68. As comunidades de onde provém o candidato ao sacerdócio, mesmo com a necessária separação que a opção vocacional implica, continuam a exercer um influxo não indiferente na formação do futuro sacerdote. Devem, por isso, estar conscientes da sua específica quota parte de responsabilidade.

Em primeiro lugar, deveremos mencionar a família: os pais cristãos, como também os irmãos e irmãs e outros membros do núcleo familiar, não devem nunca procurar reconduzir o futuro presbítero aos estreitos limites de uma lógica demasiadamente humana, se não mesmo mundana, ainda que sustentada por um sincero afecto (cf. Mc 3, 20-21.31-35). Animados eles mesmos do propósito de "cumprir a vontade de Deus", saberão acompanhar o caminho formativo com a oração, o respeito, o bom exemplo das virtudes domésticas, e a ajuda espiritual e material, sobretudo nos momentos difíceis. A experiência ensina-nos que, em muitos casos, esta multifacetada ajuda se afigurou decisiva para o candidato ao sacerdócio. Mesmo no caso de pais e familiares indiferentes ou contrários à opção vocacional, o confronto claro e sereno com as suas posições e os estímulos que daí derivam podem constituir uma preciosa ajuda, para que a vocação sacerdotal amadureça de modo consciente e decidido.

Em conexão o profunda com as famílias, está a comunidade paroquial, e umas e outra se interligam no plano de educação para a ; muitas vezes a paróquia, com uma específica pastoral juvenil e vocacional, desempenha um papel de suplência relativamente à família. Sobretudo enquanto realização local mais imediata do mistério da Igreja, a paróquia oferece um contributo original e particularmente precioso para a formação do futuro sacerdote. A comunidade paroquial deve continuar a sentir como parte viva de si mesma o jovem a caminho do sacerdócio, deve acompanhá-lo com a oração, acolhê-lo cordialmente nos períodos de férias, respeitar e favorecer o desenvolvimento da sua identidade presbiteral, oferecendo-lhe ocasiões oportunas e estímulos fortes para pôr à prova a sua vocação para a missão sacerdotal.

Também as associações e movimentos juvenis, sinal e confirmação da vitalidade que o Espírito assegura à Igreja, podem e devem contribuir para a formação dos candidatos ao sacerdócio, em particular daqueles que procedem da experiência cristã, espiritual e apostólica dessas entidades agregadoras. Os jovens que receberam a sua formação de base em tais agregações e a elas se referem para a sua experiência de Igreja, não deverão sentir-se convidados a cortar com o seu passado e a interromper as relações com o ambiente que contribuiu para concretizar a sua vocação, nem deverão apagar os traços característicos da espiritualidade que aí aprenderam e viveram, em tudo aquilo que de bom, edificante e enriquecedor essas agregações contêm [210]. Também para eles, este ambiente de origem continua a ser fonte de ajuda e apoio na caminhada formativa para o sacerdócio.

As ocasiões de educação para a e de crescimento cristão e eclesial, que o Espírito oferece a tantos jovens, através de múltiplas formas de grupos, movimentos e associações de variada inspiração evangélica, devem ser sentidas e vividas como o dom de uma alma alimentadora dentro da instituição do Seminário e ao seu serviço. Um movimento ou uma espiritualidade particular, de facto, "não constitui uma estrutura alternativa à instituição. É, sim, a fonte de uma presença que continuamente regenera a sua autenticidade existencial e histórica. O sacerdote pode, por isso, encontrar num movimento a luz e o calor que o tornam capaz da fidelidade ao seu Bispo, pronto para as incumbências da instituição e atento à disciplina eclesiástica, de modo que seja mais fértil a vibração da sua e o gosto da sua fidelidade" [211].

É por conseguinte necessário que, na nova comunidade do Seminário, na qual estão reunidos pelo Bispo, os jovens provenientes de associações e de movimentos eclesiais aprendam " o respeito pelas outras vias espirituais e o espírito de diálogo e cooperação", tenham como ponto de referência coerente e cordial as indicações formativas do Bispo e dos educadores do Seminário, entregando-se com tranquila confiança à sua orientação e às suas avaliações [212]. Esta atitude, de facto, prepara e de certo modo antecipa a genuína opção presbiteral de serviço a todo o Povo de Deus, na comunhão fraterna do presbitério e na obediência ao Bispo.

A participação do seminarista e do presbítero diocesano em espiritualidades particulares ou agregações eclesiais é certamente, em si mesma, um factor benéfico de crescimento e de fraternidade sacerdotal. Mas esta participação não deve obstaculizar, antes deverá ajudar o exercício do ministério e a vida espiritual que são próprios do sacerdote diocesano, o qual "permanece sempre o pastor de todos em conjunto". Não é só o 'permanente', disponível para todos, mas preside ao encontro de todos - em particular se está à frente das paróquias - a fim de que todos encontrem o acolhimento que têm direito de esperar na comunidade e na Eucaristia que os reúne, qualquer que seja a sua sensibilidade religiosa ou o compromisso pastoral" [213].




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