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| Ioannes Paulus PP. II Pastores Dabo Vobis IntraText CT - Texto |
77. A formação permanente constitui também um dever para os presbíteros de meia idade. Na verdade, são múltiplos os riscos que podem correr, precisamente em razão da idade, como, por exemplo, um activismo exagerado e uma certa rotina no exercício do ministério. Assim, o sacerdote é tentado a presumir de si, como se a sua já comprovada experiência pessoal não precisasse mais de confrontar-se com nada nem com ninguém. Frequentemente o sacerdote "adulto" sofre de uma espécie de cansaço interior perigoso, sinal de uma desilusão resignada diante das dificuldades e dos insucessos. A resposta a esta situação é dada pela formação permanente, por uma contínua e equilibrada revisão de si mesmo e do próprio agir, pela procura constante de motivações e de instrumentos para a sua missão: deste modo, o sacerdote manterá o espírito vigilante e pronto para os perenes mas sempre novos apelos de salvação que cada um põe ao padre, "homem de Deus".
A formação permanente deve interessar também aqueles presbíteros que, pela idade avançada, são designados como idosos, e que em algumas Igrejas constituem a parte mais numerosa do presbitério. Este deve reservar-lhes gratidão pelos fiéis serviços que prestaram a Cristo e à Igreja e solidariedade concreta pela sua condição. Para eles, a formação permanente não comportará tanto obrigações de estudo, de actualização e de debate cultural, mas sobretudo a confirmação serena e animadora do papel que ainda são chamados a desempenhar no presbitério: não só para o prosseguimento, embora de formas diversas, do ministério pastoral, mas também pela possibilidade que têm, graças à sua experiência de vida e de apostolado, de se tornarem eles mesmos válidos mestres e formadores de outros sacerdotes.
Também os padres que, pelas fadigas ou doença, se encontram numa condição de debilidade física ou de cansaço moral, podem ser ajudados por uma formação permanente que os estimule a prosseguir de modo sereno e forte o seu serviço à Igreja, a não isolar-se da comunidade nem do presbitério, a reduzir a actividade externa para dedicar-se aos actos de relação pastoral e de espiritualidade pessoal capazes de sustentar as motivações e a alegria do seu sacerdócio. A formação permanente ajuda-los-á, em particular, a manter viva aquela convicção que eles próprios inculcaram nos fiéis, isto é, a de continuaram a ser membros activos na edificação da Igreja, especialmente em razão da sua união a Jesus Cristo sofredor e a tantos outros irmãos e irmãs que na Igreja tomam parte na paixão do Senhor, revivendo a experiência espiritual de Paulo, que dizia: "Alegro-me nos sofrimentos suportados por vossa causa e completo na minha carne o que falta aos sofrimentos de Cristo, em favor do Seu Corpo, que é a Igreja" (Col 1, 24) [229].