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Ioannes Paulus PP. II
Pastores Dabo Vobis

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O sacerdote no seu tempo

5. "Todo o sumo sacerdote, escolhido de entre os homens, é constituído a favor dos homens nas coisas que dizem respeito a Deus" (Heb 5, l).

A Carta aos Hebreus afirma claramente a "humanidade" do ministro de Deus: ele vem dos homens e está ao serviço dos homens, imitando Jesus Cristo, "Ele mesmo provado em todas as coisas, excepto no pecado" (Heb 4, 15).

Deus chama sempre os seus sacerdotes a partir de determinados contextos humanos e eclesiais, com os quais estão inevitavelmente conotados e aos quais são mandados para o serviço do Evangelho de Cristo.

Por este motivo o Sínodo "contextualizou" o tema dos sacerdotes, inserindo-o na Igreja e na sociedade de hoje em dia e abrindo-o às perspectivas do terceiro milénio, como de resto resulta da própria formulação do tema: "A formação dos sacerdotes nas circunstâncias actuais".

Certamente, há uma fisionomia essencial do sacerdote que não muda:o padre de amanhã, não menos que o de hoje, deverá assemelhar-se a Cristo. Quando vivia sobre a terra, Jesus ofereceu em Si mesmo o rosto definitivo do presbítero, realizando um sacerdócio ministerial do qual os apóstolos foram os primeiros a ser investidos; aquele é destinado a perdurar, a reproduzir-se incessantemente em todos os períodos da história. O presbítero do terceiro milénio será, neste sentido, o continuador dos padres que, nos precedentes milénios, animaram a vida da Igreja. Também no ano Dois Mil, a vocação sacerdotal continuará a ser o chamamento a viver o único e permanente sacerdócio de Cristo" [9]. Mas é igualmente certo que a vida e o ministério do sacerdote se deve "adaptar a cada época e a cada ambiente de vida (...) Da nossa parte, devemos, por isso, procurar abrir-nos o mais possível à superior iluminação do Espírito Santo, para descobrir as orientações da sociedade contemporânea, reconhecer as necessidades espirituais mais profundas, determinar as tarefas concretas mais importantes, os métodos pastorais a adoptar, e, assim, responder de modo adequado às expectativas humanas" [10].

Devendo conjugar a verdade permanente do ministério presbiteral com as solicitações e as características de hoje, os Padres sinodais procuraram responder a algumas perguntas necessárias: que problemas e, ao mesmo tempo, que estímulos positivos, o actual contexto sócio-cultural e eclesial suscita nas crianças, nos adolescentes e nos jovens que devem amadurecer um projecto de vida sacerdotal, para toda a existência? Que dificuldades e que novas possibilidades oferece o nosso tempo para o exercício de um ministério sacerdotal coerente com o dom do Sacramento recebido e com a exigência de uma vida espiritual correspondente?

Proponho-vos agora alguns elementos de análise da situação que os Padres sinodais desenvolveram, bem consciente, porém, de que a grande variedade das circunstâncias sócio-culturais e eclesiais presentes nos diversos países aconselha a assinalar só os fenómenos mais profundos e mais difundidos, em particular os que se relacionam com os problemas educativos e com a formação sacerdotal.




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