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Ioannes Paulus PP. II
Pastores Dabo Vobis

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O olhar sobre o sacerdote

11. "Estavam postos sobre Ele os olhos de todos os que se encontravam na sinagoga" (Lc 4, 20).Tudo quanto o evangelista Lucas diz dos que estavam presentes, naquele sábado, na sinagoga de Nazaré, escutando o comentário feito por Jesus ao livro do profeta Isaías, por Ele mesmo acabado de ler, se pode aplicar a todos os cristãos,continuamente chamados a reconhecer em Jesus de Nazaré o cumprimento definitivo do anúncio profético:"Começou então a dizer:'Hoje se cumpriu o passo da Escritura que acabais de ouvir com os vossos próprios ouvidos" (Lc 4, 21). E o "passo da Escritura" era este: "O Espírito do Senhor está sobre mim; por isso me consagrou com a unção e me enviou a anunciar aos pobres a Boa Nova, a proclamar a liberdade aos prisioneiros, e a vista aos cegos; a pôr em liberdade os oprimidos e pregar um ano de graça do Senhor" (Lc 4,18-19; cf. Is 61, 1-2). Jesus auto-apresenta-se, por conseguinte, como cheio do Espírito, "consagrado com a unção", "enviado a anunciar aos pobres a Boa Nova": é o Messias, o Messias sacerdote, profeta e rei.

É este o rosto de Cristo, no qual os olhos da e do amor dos cristãos devem permanecer fixos. Precisamente a partir desta "contemplação" e tendo-a como ponto de referência, os Padres Sinodais reflectiram sobre o problema formação dos sacerdotes nas circunstâncias actuais. Tal problema não pode encontrar resposta sem uma prévia reflexão sobre a meta para a qual se orienta o caminho formativo: o sacerdócio ministerial, mais concretamente o sacerdócio ministerial enquanto participação na Igreja do mesmo sacerdócio de Jesus Cristo. O conhecimento da natureza e da missão do sacerdócio ministerial é o pressuposto irrecusável, e ao mesmo tempo o guia mais seguro bem como o estímulo mais premente para desenvolver na Igreja a acção pastoral de promoção e discernimento das vocações sacerdotais e da formação dos chamados ao ministério ordenado.

O recto e aprofundado conhecimento da natureza e da missão do sacerdócio ministerial é o caminho a seguir, e o Sínodo efectivamente segui-o, para sair da crise sobre a identidade do sacerdote: "Esta crise - dizia no meu Discurso final ao Sínodo - nasceu nos anos imediatamente sucessivos ao Concílio. Fundamentava-se numa compreensão errada, por vezes mesmo deliberadamente tendenciosa, da doutrina do magistério conciliar. Aqui se encontra indubitavelmente uma das causas do grande número de perdas então sofridas pela Igreja, perdas essas que feriram gravemente o serviço pastoral e as vocações ao sacerdócio, e em particular as vocações missionárias. É como se o Sínodo de 1990, descobrindo, através de tantas intervenções que escutámos nesta Aula, toda a profundidade da identidade sacerdotal, viesse infundir esperança depois destas dolorosas perdas. Tais intervenções manifestaram a consciência do ligame ontológico específico que une o sacerdote a Cristo, Sumo Sacerdote e Bom Pastor. Esta identidade está inerente à natureza da formação que deve ser ministrada com vista ao sacerdócio, e por conseguinte a toda a vida sacerdotal. Era precisamente este o objectivo do Sínodo" [18].

Por isso o Sínodo considerou necessário chamar a atenção, de modo sintético e fundamental, para a natureza e a missão do sacerdócio ministerial, tais como a da Igreja as vem reconhecendo ao longo dos séculos da sua história e o Concílio Vaticano II as apresentou aos homens do nosso tempo [19].




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