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| Ioannes Paulus PP. II Pastores Dabo Vobis IntraText CT - Texto |
Ao serviço da Igreja e do mundo
16. O sacerdote tem como referência fundamental a relação com Jesus Cristo Cabeça e Pastor: ele, de facto, participa de modo específico e autorizado, na "consagração/unção" e na "missão" de Cristo (cf. Lc 4, 18-19). Mas, intimamente ligada àquela, encontra-se a relação com a Igreja. Não se trata de "relações" simplesmente justapostas, mas profundamente unidas numa espécie de mútua imanência. A referência à Igreja inscreve-se na única e mesma referência do sacerdote a Cristo, no sentido que é a "representação sacramental" de Cristo a fundamentar e animar a relação e referência do sacerdote à Igreja.
Neste sentido, escreveram os Padres Sinodais: "Enquanto representa Cristo Cabeça, Pastor e Esposo da Igreja, o sacerdote coloca-se não apenas na Igreja, mas também perante a Igreja. O sacerdócio, enquanto unido à Palavra de Deus e aos sinais sacramentais a cujo serviço se encontra, pertence aos elementos constitutivos da Igreja. O ministério do presbítero existe em favor da Igreja; é para a promoção do exercício do sacerdócio comum de todo o Povo de Deus; ordena-se não apenas para a Igreja particular, mas também para a Igreja universal (cf. Presbyterorum ordinis, 10), em comunhão com o Bispo, com Pedro e sob a autoridade de Pedro. Mediante o sacerdócio do Bispo, o sacerdócio da segunda ordem incorpora-se na estrutura apostólica da Igreja. Desta forma, o presbítero, como os apóstolos, exerce funções de embaixador de Cristo (cf. 2 Cor 5, 20). Nisto se fundamenta a índole missionária de todos e cada um dos sacerdotes" [28].
O ministério ordenado surge, portanto, com a Igreja e tem nos Bispos, e em referência e comunhão com eles nos presbíteros, uma relação particular com o ministério dos Apóstolos, ao qual efectivamente "sucede" ainda que, relativamente a esse, assuma diferentes modalidades de existência.
Não se deve, pois, pensar no sacerdócio ordenado como se fosse anterior à própria Igreja, porque ele existe totalmente em função do serviço da mesma Igreja; nem muito menos se pode pensar como posterior à comunidade eclesial, de modo que esta pudesse ser concebida como já constituída independentemente de tal sacerdócio.
A relação do sacerdote com Jesus Cristo e, n'Ele, com a Sua Igreja situa-se no próprio ser do presbítero, em virtude da sua consagração/unção sacramental, e no seu agir, isto é, na sua missão ou ministério. Em particular, "o sacerdote ministro é servo de Cristo presente na Igreja mistério, comunhão e missão. Pelo facto de participar da 'unção' e da 'missão' de Cristo, ele pode prolongar na Igreja a sua oração, a sua palavra, o seu sacrifício e a sua acção salvífica. É, portanto, servidor da Igreja mistério porque actua os sinais eclesiais e sacramentais da presença de Cristo ressuscitado. É servidor da Igreja comunhão porque - unido ao Bispo e em estreita relação com o presbitério - constrói a unidade da comunidade eclesial na harmonia das diferentes vocações, carismas e serviços. É finalmente servidor da Igreja missão porque faz com que a comunidade se torne anunciadora e testemunha do Evangelho" [29].
Assim, pela sua própria natureza e missão sacramental, o sacerdote surge, na estrutura da Igreja como sinal da prioridade absoluta e gratuidade da graça, que à Igreja é oferecida por Cristo ressuscitado. Através do sacerdócio ministerial, a Igreja toma consciência, na fé, de não vir de si mesma, mas da graça de Cristo no Espírito Santo. Os apóstolos e seus sucessores, como detentores de uma autoridade que lhes vem de Cristo Cabeça e Pastor, são colocados - juntamente com o seu ministério - perante a Igreja como prolongamento visível e sinal sacramental de Cristo no seu próprio estar diante da Igreja e do mundo, como origem permanente e sempre nova da salvação, "Ele que é o salvador do seu corpo" (Ef 5, 23).