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Ioannes Paulus PP. II
Pastores Dabo Vobis

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18. Como sublinha o Concílio, "o dom espiritual que os presbíteros receberam na ordenação não os prepara para uma missão limitada e restrita, mas, pelo contrário, para uma imensa e universal missão de salvação até aos últimos confins da terra, dado que todo e qualquer ministério sacerdotal participa da mesma amplitude universal da missão confiada por Cristo aos Apóstolos" [36]. Pela própria natureza do seu ministério, eles devem, portanto, ser penetrados e animados de um profundo espírito missionário, "daquele espírito verdadeiramente católico que os habitua a olhar para além dos confins da própria diocese, nação ou rito, e ajudar as necessidades de toda a Igreja, dispostos a pregar o Evangelho em toda a parte" [37].

Além disso, precisamente porque no âmbito da vida da Igreja é o homem da comunhão, o presbítero deve ser, no relacionamento com todas as pessoas, o homem da missão e do diálogo. Profundamente radicado na verdade e na caridade de Cristo e animado do desejo e do imperativo de anunciar a todos a sua salvação, ele é chamado a encetar um relacionamento de fraternidade, de serviço, de procura comum da verdade, de promoção da justiça e da paz, com todos os homens. Em primeiro lugar, com os irmãos das outras Igrejas e confissões cristãs; mas também com os fiéis das outras religiões; com os homens de boa vontade, de forma especial com os pobres e os mais débeis, com todos aqueles que anseiam, mesmo sem o saber ou o exprimir, pela verdade e pela salvação de Cristo, segundo a palavra de Jesus: "não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os doentes; não vim para chamar os justos, mas sim os pecadores" ( Mc 2, 17).

Hoje, de uma forma particular, a prioritária tarefa pastoral da nova evangelização, que diz respeito a todo o Povo de Deus e postula um novo ardor, novos métodos e uma nova expressão para o anúncio e o testemunho do Evangelho, exige sacerdotes, radical e integralmente imersos no mistério de Cristo, e capazes de realizar um novo estilo de vida pastoral, marcado por uma profunda comunhão com o Papa, os Bispos e entre si próprios, e por uma fecunda colaboração com os leigos, no respeito e na promoção dos diversos papéis, carismas e ministérios no interior da comunidade eclesial [38].

"Cumpriu-se hoje o passo da escritura que acabais de ouvir" (Lc 4, 21). Escutemos uma vez mais estas palavras de Jesus, à luz do sacerdócio ministerial que apresentamos na sua natureza e missão. O "hoje" de que fala Jesus, precisamente porque pertence - definindo-a à "plenitude dos tempos", ou seja, ao tempo da salvação plena e definitiva, indica o tempo da Igreja. A consagração e a missão de Cristo - "O Espírito do Senhor me consagrou com a unção e me enviou a anunciar aos pobres a Boa Nova" (Lc 4, 18)- são a raiz viva de onde germina a consagração e a missão da Igreja, "plenitude" de Cristo (cf. Ef 1, 23): com a regeneração baptismal se infunde sobre todos os crentes o Espírito do Senhor, que os consagra em ordem a formarem um templo espiritual e um sacerdócio santo e os envia a dar a conhecer os prodígios d'Aquele que os chamou das trevas à sua luz admirável (cf. 1 Ped 2, 4-10). O presbítero participa na missão e consagração de Cristo de modo específico e de plena autoridade, ou seja, mediante o sacramento da Ordem, em virtude do qual é configurado, no seu ser, a Jesus Cristo Cabeça e Pastor, e partilha a missão de "anunciar aos pobres a Boa Nova" em nome e na pessoa do próprio Cristo.

Na sua Mensagem final, os Padres sinodais compendiaram em breves mas ricas palavras a "verdade", melhor, o "mistério" e o "dom" do sacerdócio ministerial, afirmando: "A nossa identidade tem a sua fonte mais remota na caridade do Pai. Ao Filho, por Ele enviado, Sumo Sacerdote e Bom Pastor, estamos unidos sacramentalmente com o sacerdócio ministerial por acção do Espírito Santo. A vida e o ministério do sacerdote são a continuação da vida e da acção do próprio Cristo. Esta é a nossa identidade, a nossa verdadeira dignidade, a fonte da nossa alegria, a certeza da nossa vida" [39].




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