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Ioannes Paulus PP. II
Pastores Dabo Vobis

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A vida espiritual no exercício do ministério

24. O Espírito do Senhor consagrou Cristo e enviou-o a anunciar o Evangelho (cf. Lc 4, 18). A missão não representa um elemento exterior e justaposto à consagração, mas constitui a sua meta intrínseca e vital: a consagração é para a missão. Assim, não só a consagração mas também a missão está sob o signo do Espírito, sob o seu influxo santificador.

Assim aconteceu com Jesus. Assim foi o caso dos apóstolos e dos seus sucessores. Assim é com a Igreja inteira e, dentro dela, com os presbíteros: todos recebem o Espírito como dom e apelo de santificação, no âmbito e através do cumprimento da missão [57].

Existe, portanto, uma íntima conexão entre a vida espiritual do presbítero e o exercício do seu ministério [58], que o Concílio exprime da maneira seguinte: "Exercitando o ministério do Espírito e da justiça (cf. 2 Cor 3, 8-9), os presbíteros são consolidados na vida do Espírito, na condição, porém, que sejam dóceis aos ensinamentos do Espírito de Cristo que os vivifica e guia. De facto, os presbíteros são orientados para a perfeição da vida por força das próprias acções que desenvolvem quotidianamente, como também de todo o seu ministério que exercitam em estreita união com o Bispo e entre si. Mas a própria santidade dos presbíteros, por sua vez, contribui muitíssimo para o desempenho eficaz do seu ministério" [59].

"Vive o mistério que é colocado em tuas mãos"! É este o convite e também a interpelação que a Igreja dirige ao presbítero no rito da ordenação, no momento em que lhe são entregues as ofertas do povo santo para o sacrifício eucarístico. O "mistério" de que o presbítero é "dispensador" (cf. 1 Cor 4, 1) é, no fundo, o próprio Jesus Cristo que, no Espírito, é fonte de santidade e apelo à santificação. O "mistério" exige ser inserido na vida real do presbítero. Por isso mesmo, exige grande vigilância e consciencialização viva. É ainda o rito da ordenação a fazer preceder as palavras recordadas da recomendação: "Toma consciência daquilo que farás". Já Paulo alertava o bispo Timóteo: "Não transcures o dom espiritual que está em ti" (1 Tim 4, 14; cf. 2 Tim 1, 6).

A relação entre a vida espiritual e o exercício do ministério sacerdotal pode encontrar uma explicação adequada, também a partir da caridade pastoral concedida pelo sacramento da Ordem. O ministério do sacerdote, precisamente porque é uma participação no ministério salvífico de Jesus Cristo Cabeça e Pastor, não pode deixar de reexprimir e reviver aquela sua caridade pastoral que é, ao mesmo tempo, a fonte e o espírito do seu serviço e do dom de si próprio. Na sua realidade objectiva, o ministério sacerdotal é "amoris officium", segundo a citada expressão de Santo Agostinho: precisamente esta realidade objectiva se coloca como fundamento e apelo para um "ethos" correspondente, que não pode ser senão aquele de viver o amor, como salienta o mesmo Santo: "Sit amoris officium pascere dominicum gregem" [60]. Tal ethos, e portanto a vida espiritual, outra coisa não é senão o acolhimento na consciência e na liberdade, e consequentemente na mente, no coração, nas decisões e nas acções, da "verdade" do ministério sacerdotal como amoris officium.




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