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Ioannes Paulus PP. II
Pastores Dabo Vobis

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44. A maturidade afectiva supõe a consciência do lugar central do amor na existência humana. Na realidade, como escrevi na Encíclica Redemptor hominis, "o homem não pode viver sem amor. Permanece para si mesmo um ser incompreensível, a sua vida fica privada de sentido, se não lhe for revelado o amor, se não se encontra com o amor, se não o experimenta e não o faz seu, se não participa nele vivamente" [126].

Trata-se de um amor que compromete a pessoa inteira, nas suas dimensões e componentes físicas, psíquicas e espirituais, e se exprime no "significado nupcial" do corpo humano, graças ao qual a pessoa faz entrega de si mesma a outra e a acolhe. Para a compreensão e realização desta "verdade" do amor humano, tende a educação sexual rectamente entendida. Efectivamente, devemos dar-nos conta de uma situação social e cultural difundida "que 'banaliza' em grande parte a sexualidade humana porque a interpreta e a vive de modo redutor e empobrecido, relacionando-a unicamente com o corpo e com o prazer egoísta" [127]. Frequentemente as próprias situações familiares, de onde provêem as vocações sacerdotais, revelam a este respeito não poucas carências, e por vezes até graves desequilíbrios.

Num tal contexto, torna-se mais difícil, mas também mais urgente, uma educação para a sexualidade que seja verdadeira e plenamente pessoal e que, portanto, dê lugar à estima e ao amor pela castidade, como "virtude que desenvolve a autêntica maturidade da pessoa e que a torna capaz de respeitar e promover o 'significado nupcial' do corpo" [128].

Ora a educação para o amor responsável e a maturidade afectiva da pessoa tornam-se absolutamente necessárias para quem, como o presbítero, é chamado ao celibato, ou seja, a oferecer, pela graça do Espírito e com a resposta livre da própria vontade, a totalidade do seu amor e da sua solicitude a Jesus Cristo e à Igreja. Em vista do compromisso celibatário, a maturidade afectiva deve saber incluir, no âmbito das relações humanas de serena amizade e de profunda fraternidade, um grande amor vivo e pessoal a Jesus Cristo. Como escreveram os Padres sinodais, "é de capital importância no suscitar a maturidade afectiva o amor de Cristo, prolongado numa dedicação universal. Assim o candidato, chamado ao celibato, encontrará na maturidade afectiva um fulcro seguro para viver a castidade na fidelidade e na alegria" [129].

Pois que o carisma do celibato, mesmo quando é autêntico e provado, deixa intactas as tendências da afectividade e as excitações do instinto, os candidatos ao sacerdócio precisam de uma maturidade afectiva capaz de prudência, de renúncia a tudo o que a pode atacar, de vigilância sobre o corpo e o espírito, estima e respeito pelas relações interpessoais com homens e mulheres. Uma ajuda preciosa pode ser dada por uma adequada educação para a verdadeira amizade, à imagem dos vínculos de fraterno afecto que o próprio Cristo viveu na sua existência (cf. Jo 11, 5).

A maturidade humana em geral, e a afectiva em particular, exigem uma formação clara e sólida para uma liberdade que se configura como obediência convicta e cordial à "verdade" do próprio ser, e ao "significado" do próprio existir, ou seja, ao "dom sincero de si mesmo" como caminho e fundamental conteúdo da autêntica realização do próprio ser" [130]. Assim entendida, a liberdade requer que a pessoa seja verdadeiramente dona de si mesma, decidida a combater e a superar as diversas formas de egoísmo e de individualismo, que atacam a vida de cada um, pronta a abrir-se aos outros, generosa na dedicação e no serviço do próximo. Isto é importante para a resposta a dar à vocação, e de uma forma especial à sacerdotal, e para a fidelidade a essa vocação bem como aos compromissos com ela conexos, mesmo nos momentos difíceis. Neste itinerário educativo para uma amadurecida liberdade responsável, um auxílio pode vir da própria vida comunitária do Seminário [131].

Intimamente ligada à formação para a liberdade responsável, está a educação da consciência moral: esta, enquanto solicita do íntimo do próprio "eu" a obediência às obrigações morais, revela o significado profundo de tal obediência, isto é, o de ser uma resposta consciente e livre, e por conseguinte amorosa, às exigências de Deus e do Seu amor. "A maturidade humana do sacerdote - escrevem os Padres sinodais - deve incluir especialmente a formação da sua consciência. O candidato, de facto, para poder fielmente satisfazer às suas obrigações para com Deus e a Igreja e para poder sapientemente orientar as consciências dos fiéis, deve ser habituado a escutar a voz de Deus que lhe fala no íntimo do coração e a aderir com amor e firmeza à sua vontade" [132].




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