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Ioannes Paulus PP. II
Pastores Dabo Vobis

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49. A formação espiritual comporta ainda o procurar Cristo nos homens. A vida espiritual é, de facto, vida interior, vida de intimidade com Deus, vida de oração e de contemplação. Mas precisamente o encontro com Deus e com o seu amor de Pai de todos, implica a exigência indeclinável do encontro com o próximo, do dom de si aos outros, no serviço humilde e desinteressado que Jesus propôs a todos como programa de vida, ao lavar os pés aos apóstolos: "Dei-vos o exemplo, para que tal como eu fiz, assim façais vós também" (Jo 13,15).

A formação para o dom generoso e gratuito de si mesmo, favorecido também pela forma comunitária normalmente assumida na preparação para o sacerdócio, representa uma condição irrecusável para quem é chamado a fazer-se epifania e transparência do Bom Pastor que dá a vida (cf. Jo 10, 11.15). Sob este aspecto, a formação espiritual possui e deve desenvolver a sua intrínseca dimensão pastoral ou caritativa, e pode utilmente servir-se também de uma justa, ou seja, sólida e terna devoção ao Coração de Cristo, como sublinharam os Padres sinodais: "Formar os futuros sacerdotes na espiritualidade do Coração do Senhor, implica levar uma vida que corresponda ao amor e ao afecto de Cristo Sacerdote e Bom Pastor: ao seu amor para com o Pai no Espírito Santo, ao seu amor para com os homens até entregar em imolação a sua própria vida" [148].

O presbítero é, portanto, o homem da caridade, e é chamado a educar os outros para a imitação de Cristo e para o Seu mandamento novo do amor fraterno (cf. Jo 15, 12). Mas isto implica que ele próprio se deixe continuamente educar pelo Espírito para a caridade de Cristo. Nesse sentido, a preparação para o sacerdócio não pode deixar de implicar uma séria formação para a caridade, particularmente para o amor preferencial pelos "pobres", nos quais a fé descobre a presença de Jesus (cf. Mt 25, 40), e para o amor misericordioso pelos pecadores.

Na perspectiva da caridade, que consiste no dom de si mesmo por amor, encontra o seu lugar, na formação espiritual do futuro sacerdote, a educação para a obediência, para o celibato e para a pobreza [149]. Vai neste sentido o convite do Concílio: "Que os alunos saibam de modo bem claro que não são destinados ao mando nem às honras, mas que se devem ocupar totalmente no serviço de Deus e no ministério pastoral. Sejam educados com particular solicitude para a obediência sacerdotal, na pobreza de vida e para uma abnegação de si mesmos, de tal maneira que se habituem a renunciar generosamente mesmo àquilo que, sendo lícito, não é conveniente, e a viver em conformidade com Cristo crucificado" [150].




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