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| Ioannes Paulus PP. II Pastores Dabo Vobis IntraText CT - Texto |
III. OS PROTAGONISTAS DA FORMAÇÃO SACERDOTAL
A Igreja e o Bispo
65. Uma vez que a formação dos candidatos ao sacerdócio pertence à pastoral vocacional da Igreja, deve dizer-se que é a Igreja, enquanto tal, o sujeito comunitário que tem a graça e a responsabilidade de acompanhar todos aqueles que o Senhor chama a ser seus ministros no sacerdócio.
Precisamente neste sentido, a leitura do mistério da Igreja ajuda-nos a precisar melhor o lugar e a função que os seus diversos membros, seja individualmente seja como membros do corpo, têm na formação do candidato ao presbiterado.
A Igreja é, por sua íntima natureza, a "memória", o "sacramento" da presença e da acção de Jesus Cristo no meio de nós e por nós. É à sua presença salvífica que se deve a chamada ao sacerdócio: não só a chamada, mas também o acompanhamento para que o vocacionado possa reconhecer a graça do Senhor e possa dar-lhe uma resposta com liberdade e amor. É o Espírito de Jesus que ilumina e dá força no discernimento do caminho vocacional. Não existe uma autêntica obra formativa para o sacerdócio sem o influxo do Espírito de Cristo. Cada formador humano deve estar plenamente consciente disso. Como não ver um "recurso" totalmente gratuito e radicalmente eficaz, que tem o seu "peso" decisivo no empenhamento formativo em ordem ao sacerdócio? E como não alegrar-se perante a dignidade de todo o formador humano, que, em certo sentido, se configura como representante visível de Cristo para o candidato ao sacerdócio? Se a formação para o sacerdócio é essencialmente a preparação do futuro "pastor" à imagem de Jesus Cristo Bom Pastor, quem melhor que o próprio Cristo, mediante a efusão do seu Espírito, pode conceder e levar ao amadurecimento aquela mesma caridade pastoral que Ele viveu até ao dom total de Si (cf. Jo 15, 13; 10, 11) e quer que seja revivida por todos os presbíteros?
O primeiro representante de Cristo na formação dos sacerdotes é o Bispo. Poder-se-ia dizer do Bispo, de cada bispo, quanto nos diz o evangelista Marcos no texto, já várias vezes citado: "Chamou a Si aqueles que quis e eles foram ter com Ele. Constituiu Doze de entre eles que estivessem com Ele, e também para os enviar" (Mc 3, 13-14). Na realidade, a chamada interior do Espírito precisa de ser reconhecida como autêntico chamamento pelo Bispo. Se todos podem "ir ter" com o Bispo enquanto Pastor e Pai de todos, podem fazê-lo de uma forma particular os seus presbíteros pela comum participação do mesmo sacerdócio e ministério: o Bispo, diz o Concílio, deve considerá-los e tratá-los como "irmãos e amigos" [202]. O mesmo se pode dizer analogamente de quantos se preparam para o sacerdócio. A propósito do "estar com ele", com o Bispo, revelar-se-á muito significativo para as suas responsabilidades formativas com os candidatos ao sacerdócio, que o Bispo os visite frequentemente e de certa maneira "esteja" com eles.
A presença do Bispo adquire um valor particular, não só porque ajuda a comunidade do Seminário a viver a sua inserção na Igreja particular e a sua comunhão com o Pastor que a guia, mas também porque estimula e dá autenticidade àquele fim pastoral que constitui a especificidade da completa formação dos candidatos ao sacerdócio. Sobretudo com a sua presença e partilha com os candidatos ao sacerdócio de tudo o que diz respeito ao caminho pastoral da Igreja particular, o Bispo oferece um contributo fundamental para a formação do "sentido de Igreja", como valor espiritual e pastoral central no exercício do ministério sacerdotal.