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| Ioannes Paulus PP. II Pastores Dabo Vobis IntraText CT - Texto |
Os responsáveis da formação permanente
78. As condições, em que muitas vezes e em tantos lugares se processa actualmente o ministério dos presbíteros, não facilitam um empenhamento sério na formação: a multiplicação de tarefas e serviços, a complexidade da vida humana em geral e a das comunidades cristãs em particular, o activismo e a ânsia típica de tantas áreas da nossa sociedade privam frequentemente sacerdotes do tempo e das energias indispensáveis para "cuidar de si mesmos" (cf. 1 Tim 4, 16).
Isto deve fazer crescer em todos a responsabilidade, para que as dificuldades sejam superadas, ou melhor, se tornem um desafio para elaborar e realizar uma formação permanente que responda de modo adequado à grandeza do dom de Deus e à gravidade dos pedidos e exigências do nosso tempo.
Os responsáveis dessa formação permanente devem procurar-se na Igreja "comunhão". Neste sentido, é toda a Igreja particular que, sob a orientação do Bispo, é investida da responsabilidade de estimular e cuidar, de vários modos, a formação permanente dos sacerdotes. Estes não existem para si mesmos, mas para o Povo de Deus: por isso, a formação permanente, enquanto assegura a maturidade humana, espiritual, intelectual e pastoral dos padres, resulta num bem de que é destinatário o Povo de Deus. De resto, o próprio exercício do ministério pastoral leva a um contínuo e fecundo intercâmbio recíproco entre a vida de fé dos presbíteros e a dos fiéis. Precisamente a partilha de vida entre o presbítero e a comunidade, se sapientemente conduzida e utilizada, constitui um contributo fundamental para a formação permanente, não redutível, porém, a qualquer episódio ou iniciativa isolada, mas alargada a todo o ministério e vida do sacerdote.
De facto, a experiência cristã das pessoas simples e humildes, os ímpetos espirituais das pessoas enamoradas de Deus, as aplicações corajosas da fé à vida por parte dos cristãos empenhados nas várias responsabilidades sociais e civis são acolhidas pelo presbítero que, enquanto as ilumina com o seu serviço sacerdotal, tira delas um precioso alimento espiritual. Até as dúvidas, as crises e os atrasos frente às mais variadas condições pessoais e sociais, as tentações de recusa ou de desespero no momento da dor, da doença, da morte: enfim, todas as circunstâncias difíceis que os homens encontram no seu caminho da fé são fraternalmente vividas e sinceramente sofridas pelo coração do presbítero que, ao procurar as respostas para os outros, é continuamente estimulado a encontrá-las, antes de mais, para si mesmo.
Assim todo o Povo de Deus, na diversidade dos seus membros, pode e deve oferecer uma preciosa ajuda à formação permanente dos seus sacerdotes. Neste sentido, deve deixar-lhes espaços de tempo para o estudo e para a oração, pedir-lhes aquilo para que foram enviados por Cristo enada mais, oferecer colaboração nos vários âmbitos da missão pastoral, especialmente no que diz respeito à promoção humana e ao serviço da caridade, assegurar relações cordiais e fraternas com eles, facilitar-lhes a consciência de que não são "donos da fé" mas "colaboradores da alegria" de todos os fiéis (cf. 2 Cor 1, 24).
A responsabilidade formadora da Igreja particular pelos sacerdotes concretiza-se e especifica-se em relação aos diferentes membros que a compõem, a começar pelo próprio presbítero.