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Ioannes Paulus PP. II
Pastores Dabo Vobis

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O discernimento evangélico

10. A complexa situação actual, rapidamente evocada em traços largos e de modo exemplificativo, necessita de ser conhecida, e sobretudo interpretada. Só assim se poderá responder de modo adequado à questão fundamental: como formar sacerdotes que estejam verdadeiramente à altura destes tempos, capazes de evangelizar o mundo de hoje? [15].

É importante o conhecimento da situação. Não basta, porém, um simples levantamento dos factos; ocorre uma investigação «científica» para se delinear um quadro preciso e concreto das reais circunstâncias sócio-culturais e eclesiais.

Ainda mais importante é a interpretação da situação. Essa é exigida pela ambivalência e por vezes contradição com que está marcada a situação, que regista, profundamente entrelaçadas, dificuldades e potencialidades, elementos negativos e razões de esperança, obstáculos e aberturas, como o campo evangélico no qual estão semeados e "convivem" o bom trigo e a cizânia (cf. Mt 13,24-30).

Nem sempre é fácil uma leitura interpretativa que saiba distinguir entre o bem e o mal, entre sinais de esperança e ameaças. Na formação dos sacerdotes, não se trata única e simplesmente de acolher os factores positivos e de rejeitar frontalmente os negativos. Mas tem-se de submeter os próprios factores positivos a um atento discernimento, para que não se isolem uns dos outros nem entrem em oposição entre si, absolutizando-se e combatendo-se mutuamente. O mesmo se diga dos factores negativos : não são de rejeitar em bloco e sem distinções, porque em cada um deles pode ocultar-se algum valor que espera ser liberto e reconduzido à sua verdade plena.

Para o crente, a interpretação da situação histórica encontra o seu princípio cognoscitivo e o critério das opções operativas consequentes, numa realidade nova e original, ou seja, no discernimento evangélico; é a interpretação que se verifica à luz e com a força do Evangelho, do Evangelho vivo e pessoal de Jesus Cristo, e com o dom do Espírito Santo. Deste modo, o discernimento evangélico vê, na situação histórica e nas suas vicissitudes e circunstâncias, não um simples "dado" a registar com precisão, frente ao qual é possível permanecer na indiferença ou na passividade, mas uma "tarefa", um desafio à liberdade responsável quer do indivíduo quer da comunidade. É um "desafio" que está ligado a um "apelo", que Deus faz ressoar na própria situação histórica: também nele e através dele, Deus chama o crente , e antes ainda a Igreja, a fazer com que "o Evangelho da vocação e do sacerdócio" exprima a sua verdade perene nas novas circunstâncias da vida. Também à formação dos sacerdotes são de aplicar as palavras do Concílio Vaticano II: "É dever permanente da Igreja auscultar os sinais dos tempos e interpretá- los à luz do Evangelho de modo que, de uma forma adaptada a cada geração, ela possa responder às perenes interrogações dos homens sobre o sentido da vida presente e futura e sobre a sua relação recíproca. É necessário, de facto, conhecer e compreender o mundo em que vivemos e também as suas esperanças, as suas aspirações e a sua índole por vezes dramática" [16].

Este discernimento evangélico tem o seu fundamento na confiança no amor de Jesus Cristo, que sempre e incansavelmente toma o cuidado da sua Igreja (cf. Ef 5, 29), Ele que é o Senhor e Mestre, a chave, o centro e o fim de toda a história humana [17]; nutre-se da luz e da força do Espírito Santo, que suscita por toda a parte e em qualquer circunstância a obediência da fé, a coragem alegre do seguimento de Cristo, o dom da sabedoria que tudo julga e não é julgada por ninguém (cf. 1 Cor 2, 15); repousa sobre a fidelidade do Pai às suas promessas.

Deste modo, a Igreja sente que pode enfrentar as dificuldades e os desafios deste novo período da história e garantir, já no presente e para o futuro, sacerdotes bem, formados que sejam convictos e fervorosos ministros da "nova evangelização", servidores fiéis e generosos de Jesus Cristo e dos homens.

Não ignoramos as dificuldades. Não são poucas nem pequenas. Mas, para vencê-las, está a nossa esperança, a nossa fé no indefectível amor de Cristo, a nossa certeza da insubstituibilidade do ministério sacerdotal na vida da Igreja e do mundo.




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