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Ioannes Paulus PP. II
Pastores Dabo Vobis

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Na Igreja mistério, comunhão e missão

12. "A identidade sacerdotal - escreveram os Padres Sinodais - como toda e qualquer identidade cristã, encontra na Santíssima Trindade a sua própria fonte" [20], que se revela e autocomunica aos homens em Cristo, constituindo nele e por meio do Espírito a Igreja como "gérmen e início do Reino" [21]. A Exortação Christifideles laici sintetizando a doutrina conciliar, apresenta a Igreja como mistério, comunhão e missão: ela "é mistério porque o amor e a vida do Pai, do Filho e do Espírito Santo constituem o dom absolutamente gratuito oferecido a quantos nasceram da água e do Espírito (cf. Jo 3, 5), chamados a reviver a própria comunhão de Deus e a manifestá-la e comunicá-la na história (missão)" [22].

É no interior do mistério da Igreja como comunhão trinitária em tensão missionária, que se revela a identidade cristã de cada um e, portanto, a específica identidade do sacerdote e do seu ministério. O presbítero, de facto, em virtude da consagração que recebe pelo sacramento da Ordem, é enviado pelo Pai, através de Jesus Cristo, ao qual como Cabeça e Pastor do seu povo é configurado de modo especial para viver e actuar, na força do Espírito Santo, ao serviço da Igreja e para a salvação do mundo [23].

Assim se pode compreender a conotação essencialmente "relacional" da identidade do presbítero: mediante o sacerdócio, que brota das profundezas do mistério de Deus, ou seja, do amor do Pai, da graça de Jesus Cristo e do dom de unidade do Espírito Santo, o presbítero é inserido sacramentalmente na comunhão com o Bispo e com os outros presbíteros [24], para servir o Povo de Deus que é a Igreja e atrair todos a Cristo, segundo a Oração do próprio Senhor: "Pai Santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um só como nós (...) Como tu, ó Pai estás em mim e eu em ti, assim eles estejam em nós para que o mundo acredite que Tu me enviaste" (Jo 17, 11.21).

Não se pode, então, definir a natureza e a missão do sacerdócio ministerial, senão nesta múltipla e rica trama de relações, que brotam da Trindade Santíssima e se prolongam na comunhão da Igreja como sinal e instrumento, em Cristo, da união com Deus e da unidade de todo o género humano [26]. Neste contexto, a eclesiologia de comunhão se torna decisiva para explicar a identidade do presbítero, a sua dignidade original, a sua vocação e missão no seio do Povo de Deus e do mundo. De facto, a referência à Igreja é necessária, mesmo se não prioritária, na definição da identidade do presbítero. Enquanto mistério, a Igreja é essencialmente relativa a Jesus Cristo: é, de facto, a plenitude, o Corpo, a Esposa d'Ele. É o "sinal" e o "memorial" vivo da sua permanente presença e acção entre nós e para nós. Por isso o presbítero encontra a verdade plena da sua identidade no facto de ser uma derivação, uma participação específica e uma continuação do próprio Cristo sumo e único Sacerdote da nova e eterna Aliança: ele é uma imagem viva e transparente de Cristo Sacerdote . O sacerdócio de Cristo, expressão da sua absoluta "novidade" na história da salvação, constitui a fonte única e o insubstituível paradigma do sacerdócio do cristão, e, especialmente, do presbítero. A referência a Cristo é, então, a chave absolutamente necessária para a compreensão das realidades sacerdotais.




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