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| Ioannes Paulus PP. II Pastores Dabo Vobis IntraText CT - Texto |
A configuração a Jesus Cristo Cabeça e Pastor e a caridade pastoral
21. Mediante a consagração sacramental, o sacerdote é configurado a Jesus Cristo enquanto Cabeça e Pastor da Igreja e recebe o dom de um "poder espiritual" que é participação da autoridade com a qual Jesus Cristo pelo Seu Espírito conduz a Igreja [45].
Graças a esta consagração, operada pelo Espírito na efusão sacramental da Ordem, a vida espiritual do sacerdote fica assinalada, plasmada, conotada por aquelas atitudes e comportamentos que são próprios de Jesus Cristo Cabeça e Pastor e se compendiam na sua caridade pastoral.
Jesus Cristo é Cabeça da Igreja, seu Corpo. É "Cabeça" no sentido novo e original de ser "servo", segundo as suas próprias palavras: "O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a própria vida em resgate por todos" (Mc 10, 45). O serviço de Jesus atinge a plenitude com a morte na cruz, ou seja, com o dum total de si mesmo, na humildade e no amor: "Despojou-se a si próprio, assumindo a condição de servo e tornando-se igual aos homens; aparecendo em forma humana, humilhou-se a si mesmo fazendo-se obediente até à morte e morte de cruz" (Fil 2, 7-8). A autoridade de Jesus Cristo Cabeça coincide, portanto, com o seu serviço, o seu dom, a sua entrega total, humilde e amorosa pela Igreja. E tudo isto em perfeita obediência ao Pai: Ele é o único verdadeiro servo sofredor, conjuntamente Sacerdote e Vítima.
É a partir deste preciso tipo de autoridade, quer dizer, do serviço à Igreja, que a existência espiritual de todos e cada um dos sacerdotes é animada e vivificada, exactamente como exigência da sua configuração a Jesus Cristo Cabeça e Servo da Igreja [46]. Assim Santo Agostinho alertava um bispo no dia da sua ordenação: "Quem é posto à frente do povo deve ser o primeiro a dar-se conta de que é servo de todos. E não desdenhe de o ser, repito, não desdenhe de ser servo de todos, pois não desdenhou de se tornar nosso servo Aquele que é Senhor dos senhores" [47].
A vida espiritual dos ministros do Novo Testamento deve levar, portanto, a marca desta atitude essencial de serviço ao Povo de Deus (cf. Mt 20, 24-28; Mc 10, 43-44), destituído de qualquer presunção ou desejo de "assenhoriar-se" do rebanho a ele confiado (cf. 1 Ped 5, 2-3). Um serviço feito de ânimo alegre, de boa vontade e segundo Deus: deste modo os ministros, os "anciãos" da comunidade, isto é, os presbíteros, poderão ser «modelo» do rebanho que, por sua vez, é chamado a assumir, frente ao mundo inteiro, essa atitude sacerdotal de serviço à plenitude da vida do homem e à sua libertação integral.