Índice | Palavras: Alfabética - Freqüência - Invertidas - Tamanho - Estatísticas | Ajuda | Biblioteca IntraText
Ioannes Paulus PP. II
Pastores Dabo Vobis

IntraText CT - Texto

Precedente - Sucessivo

Clicar aqui para ver os links de concordâncias

25. É essencial para avida espiritual, que se desenvolve através do exercício do ministério, que o sacerdote renove continuamente e aprofunde sempre mais a consciência de ser ministro de Jesus Cristo em virtude da consagração sacramental e da configuração ao mesmo Cristo Cabeça e Pastor da Igreja.

Essa consciência não só corresponde à verdadeira natureza da missão que o sacerdote exerce em favor da Igreja e da humanidade, mas decide também a vida espiritual do presbítero que leva a cabo aquela missão. Efectivamente o Sacerdote não é escolhido por Cristo como uma "coisa", mas como uma "pessoa": ele não é um instrumento inerte e passivo, mas um "instrumento vivo", como diz o Concílio, precisamente no ponto onde fala da obrigação de tender para esta perfeição [61]. É ainda o Concílio a designar os sacerdotes como "companheiros e colaboradores" de Deus «santo e santificador» [62].

Neste sentido, no exercício do ministério está profundamente comprometida a pessoa consciente, livre e responsável do sacerdote. O ligame a Jesus Cristo, que a configuração e a consagração do sacramento da Ordem asseguram, fundamenta e exige no sacerdote uma ulterior conexão que lhe é proporcionada pela "intenção", ou seja, pela vontade consciente e livre de fazer, mediante o gesto ministerial, aquilo que é intenção da Igreja. Uma tal ligação tende, pela sua própria natureza, a tornar-se o mais ampla e profunda possível, implicando a mente, os sentimentos, a vida, ou seja, uma série de disposições morais e espirituais correspondentes aos gestos ministeriais do padre.

Não há dúvida que o exercício do ministério sacerdotal, especialmente a celebração dos sacramentos, recebe a sua eficácia de salvação da própria acção de Cristo Jesus, tornada presente nos sacramentos. Mas por um desígnio divino, que pretende exaltar a absoluta gratuidade da salvação, fazendo do homem ao mesmo tempo um "salvado" e um "salvador" - sempre e só com Jesus Cristo, a eficácia do exercício do ministério é condicionada também pela maior ou menor receptividade e participação humana [63]. Particularmente, a maior ou menor santidade do ministro influi sobre o anúncio da Palavra, a celebração dos Sacramentos, e a condução da comunidade na Caridade. Afirma-o claramente o Concílio: "A mesma santidade dos presbíteros (...) contribui muitíssimo para o desempenho eficaz do seu ministério: com efeito, se é verdade que a graça de Deus pode realizar a obra de salvação mesmo por meio de ministros indignos, apesar de tudo, Deus prefere ordinariamente manifestar as suas grandezas por meio daqueles que, mostrando-se mais dóceis aos impulsos e direcção do Espírito Santo, possam dizer com o Apóstolo, graças à sua íntima união com Cristo e à santidade de vida: 'Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim' (Gal 2, 20)" [64].

A consciência de ser ministro de Jesus Cristo Cabeça e Pastor implica também a certeza grata e alegre de uma singular graça recebida da parte d'Ele: a de ter sido escolhido gratuitamente pelo Senhor como instrumento vivo da obra de salvação. Esta escolha testemunha o amor de Jesus Cristo pelo sacerdote. Precisamente este amor, como e mais do que qualquer outro amor, exige correspondência. Depois da ressurreição, Jesus coloca a Pedro a questão fundamental sobre o amor: "Simão, filho de João, amas-me tu mais do que estes?" E à resposta de Pedro, segue a entrega da missão: "Apascenta os meus cordeiros" (Jo 21, 15). Jesus pergunta a Pedro se o ama, antes e com o fim de lhe poder entregar o rebanho. Mas, na realidade, é o amor livre e prévio de Jesus a originar a solicitação ao apóstolo e a subsequente entrega das "suas" ovelhas. Desta forma, o gesto ministerial, enquanto leva a amar e a servir a Igreja , impele a amadurecer cada vez mais no amor e no serviço a Jesus Cristo Cabeça, Pastor e Esposo da Igreja, um amor que se configura sempre como resposta ao amor prévio, livre e gratuito de Deus em Cristo. Por sua vez, o crescimento do amor a Jesus Cristo determina o crescimento do amor pela Igreja: "Somos vossos pastores (pascimus vobis), e convosco somos alimentados (pascimur vobiscum). O Senhor nos dê a força de amar-vos a tal ponto que possamos morrer por vós, de facto ou com o coração (aut effectu aut affectu)" [65].




Precedente - Sucessivo

Índice | Palavras: Alfabética - Freqüência - Invertidas - Tamanho - Estatísticas | Ajuda | Biblioteca IntraText

Best viewed with any browser at 800x600 or 768x1024 on Tablet PC
IntraText® (V89) - Some rights reserved by EuloTech SRL - 1996-2007. Content in this page is licensed under a Creative Commons License