3. Às vezes o mundo dos mass media pode parecer
indiferente e até mesmo hostil à fé e à moral cristãs. É assim em parte porque
a cultura dos meios de comunicação está imbuída de maneira tão profunda de um
sentido tipicamente pós-moderno, que a única verdade absoluta é a aquela
segundo a qual não existem verdades absolutas ou que, se elas existissem,
seriam inacessíveis à razão humana e portanto se tornariam irrelevantes. Desta
forma, o que importa não é a verdade, mas a «história»; se algo é digno de
notícia ou divertido, a tentação de deixar de parte as considerações da verdade
torna-se quase irresistível. Por conseguinte, às vezes o mundo dos mass media
pode parecer um ambiente não mais amistoso para a evangelização do que o mundo
pagão do tempo dos Apóstolos. Mas do mesmo modo que as primeiras testemunhas da
Boa Nova não se retiraram quando se encontraram diante de oposições, assim
também os seguidores de Cristo não o deviam fazer hoje. O brado de São Paulo
ainda ecoa entre nós: «Ai de mim se eu não evangelizar!» (1 Cor 9,
16).
Contudo, por mais que o mundo dos mass
media possa às vezes parecer separado da mensagem cristã, ele também oferece
oportunidades singulares para a proclamação da verdade salvífica de Cristo à
inteira família humana. Considerem-se, por exemplo, as transmissões satelitares
das cerimónias religiosas que com frequência atingem um auditório global, ou as
capacidades positivas da Internet de transmitir informações religiosas e
ensinamentos para além de todas as barreiras e fronteiras. Um auditório tão
vasto estaria além das imaginações mais ousadas daqueles que anunciaram o
Evangelho antes de nós. Portanto, no nosso tempo é necessário que a Igreja se
empenhe de maneira activa e criativa nos mass media. Os católicos não deveriam
ter medo de abrir as portas da comunicação social a Cristo, de tal forma que a
sua Boa Nova possa ser ouvida sobre os telhados do mundo!
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