4. No início deste novo milénio é também vital
considerarmos a missão ad gentes, que Cristo confiou à Igreja. Julga-se
que dois terços dos seis biliões de habitantes do mundo não conhecem Jesus
Cristo em qualquer sentido real; e muitas deles vivem em países de antigas
raízes cristãs, em que inteiros grupos de baptizados perderam o sentido vivo da
fé, ou já não se consideram membros da Igreja e vivem a própria vida distante
do Senhor e do seu Evangelho (cf. Redemptoris missio, 33). Sem dúvida,
uma resposta efectiva a esta situação compromete não só os meios de
comunicação; contudo, ao lutarem para enfrentar este desafio, os cristãos não
podem absolutamente ignorar o mundo das comunicações sociais. Com efeito, os
mass media de todos os tipos podem desempenhar um papel essencial na
evangelização directa e na transmissão aos povos das verdades e dos valores que
salvaguardam e enobrecem a dignidade humana. A presença da Igreja nos mass
media é efectivamente um importante aspecto da inculturação do Evangelho,
exigida pela nova evangelização, para a qual o Espírito Santo está a exortar a
Igreja no mundo inteiro.
Enquanto toda a Igreja procura prestar
atenção ao chamamento do Espírito, os comunicadores cristãos têm «uma tarefa
profética, uma vocação: falar contra os falsos deuses e ídolos do nosso tempo –
materialismo, hedonismo, nacionalismo exasperado, etc...» (Ética nas
Comunicações, n. 31). Sobretudo, eles têm o dever e o privilégio de
declarar a verdade – a verdade gloriosa acerca da vida humana e do destino do
homem, revelado no Verbo que se fez homem. Oxalá os católicos comprometidos no
mundo das comunicações sociais anunciem a verdade de Jesus cada vez mais
corajosa e impavidamente sobre os telhados, de tal maneira que todos os homens e
mulheres possam ouvir falar do amor que está na autocomunicação de Deus em
Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e para toda a eternidade (cf. Hb 13,
8).
Vaticano, 24 de Janeiro de 2001,
solenidade de São Franscisco de Sales
JOANNES PAULUS II
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