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Pedagogia
divina e catequese
143. A catequese, enquanto
comunicação da divina revelação, inspira-se
radicalmente na pedagogia de Deus como se desvela em Cristo e na Igreja, acolhe
os seus parâmetros constitutivos e, sob a guia do Espírito Santo,
faz uma sábia síntese da mesma, favorecendo assim, uma verdadeira
experiência de fé, um encontro filial com Deus. Deste modo, a
catequese:
– é uma
pedagogia que se insere no « diálogo de salvação » entre
Deus e a pessoa e, além de servir a este diálogo, ressalta
devidamente a destinação universal de tal salvação;
no que diz respeito a Deus, sublinha a iniciativa divina, a
motivação amorosa, a gratuidade, o respeito pela liberdade; no
que diz respeito ao homem, evidencia a dignidade do dom recebido e a
exigência de crescer continuamente neste; (42)
– aceita o
princípio da progressividade da Revelação, a
transcendência e a conotação misteriosa da Palavra de Deus,
assim como também a sua adaptação às diversas
pessoas e culturas;
– reconhece a
centralidade de Jesus Cristo, Palavra de Deus feita homem, que determina a
catequese como « pedagogia da encarnação », razão pela
qual o Evangelho deve ser proposto sempre para a vida e na vida das pessoas;
– valoriza a
experiência comunitária da fé, própria do Povo de
Deus, da Igreja;
– radica-se na
relação interpessoal e faz próprio o processo de
diálogo;
– faz-se
pedagogia de sinais, onde se entrelaçam fatos e palavras, ensinamento e
experiência; (43)
– sendo o amor
de Deus a razão última da sua revelação, é
do inexaurível amor divino, que é o Espírito Santo, que a
catequese recebe a sua força de verdade e o constante empenho de dar
testemunho do mesmo. (44)
A catequese
configura-se assim, como processo, itinerário ou caminho na seqüela
do Cristo do Evangelho, no Espírito, rumo ao Pai, caminho este
empreendido para alcançar a maturidade da fé « pela medida do dom
de Cristo » (Ef 4,7) e as possibilidades e as necessidades de cada um.
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