|
A
experiência humana na catequese
(67)
152.
A experiência desempenha diversas funções na catequese,
razão pela qual deve ser continuamente e devidamente valorizada.
a) Faz nascer no homem
interesses, interrogações, esperanças e ansiedade,
reflexões e julgamentos que confluem num certo desejo de transformar a
existência. A tarefa da catequese é tornar as pessoas atentas
às suas mais importantes experiências, ajudá-las a julgar,
à luz do Evangelho, as questões e necessidades que nascem dessas
experiências, educá-las a uma nova impostação da
vida. Desse modo, a pessoa será capaz de comportar-se de modo ativo e
responsável diante do dom de Deus.
b) A experiência
favorece a inteligibilidade da mensagem cristã. Isso bem corresponde ao
modo de agir de Jesus, que se serviu de experiências e
situações humanas para mostrar realidades escatológicas e
transcendentes e, ao mesmo tempo, ensinar a atitude a ser assumida diante
dessas realidades. Sob este aspecto, a experiência é
mediação necessária para explorar e assimilar as verdades
que constituem o conteúdo objetivo da revelação.
c) As
funções agora expostas ensinam que a experiência assumida
pela fé torna-se, de certo modo, âmbito de
manifestação e de realização da
salvação, onde Deus, coerentemente com a pedagogia da
encarnação, alcança o homem com a sua graça e o
salva. O catequista deve ajudar a pessoa a ler nesta ótica a
própria vivência, para descobrir o convite do Espírito
Santo à conversão, ao compromisso, à esperança, e assim
descobrir sempre mais o projeto de Deus na própria vida.
153. Iluminar e interpretar a
experiência com o dado da fé torna-se uma tarefa estável da
pedagogia catequética, não isenta de dificuldades, mas que
não pode ser transcurada, sob pena de se cair em justaposições
artificiais ou em compreensões integristas da verdade.
Isso se torna
possível a partir de uma correta aplicação da
correlação ou interação entre experiências
humanas profundas (68) e a mensagem revelada. É o que amplamente
nos testemunham o anúncio dos profetas, a pregação de Cristo
e o ensinamento dos Apóstolos que, por isso, constituem o
critério que alicerça e regulamenta cada encontro entre fé
e experiência humana no tempo da Igreja.
|