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2. Quanto a um Estado incompletamente coletivizado não
valem os argumentos contrários à coexistência da Igreja com um Estado
totalmente coletivizado.
Segundo certas
notícias da imprensa, alguns governos comunistas enunciam o propósito de,
"pari passu" com a concessão de certa liberdade religiosa, operar um
recuo parcial no socialismo, admitindo, de fato senão de direito, e a título
provisório, algumas formas de propriedade privada. Neste caso, dir-se-á, a
influência do regime sobre as almas seria menos funesta. A pregação e o ensino
católico não poderiam então aceitar de passar sob silêncio, não precisamente o
princípio da propriedade privada, mas toda a extensão que este tem na moral
católica?
A isto se poderia
responder que nem sempre os regimes mais brutalmente antinaturais -- ou os
erros mais flagrantes e declarados -- são os que conseguem deformar mais
fundamente as almas. O erro descoberto ou a injustiça brutal, por exemplo,
revoltam e causam horror, ao passo que mais facilmente são aceitas como normais
as meias injustiças e como verdade os meios erros, e uns e outras mais
rapidamente corrompem as mentalidades. Foi muito mais fácil combater o
arianismo do que o semiarianismo, o pelagianismo do que o semipelagianismo, o
protestantismo do que o jansenismo, a Revolução brutal do que o liberalismo, o
comunismo do que o socialismo mitigado. Acresce que a missão da Igreja não
consiste apenas em combater os erros brutalmente radicais e flagrantes, mas em
expungir da mente dos fiéis todo e qualquer erro, por mais tênue que seja, para
fazer brilhar aos olhos de todos a verdade integral e sem jaça, ensinada por
Nosso Senhor Jesus Cristo.
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