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3. O senso da propriedade está de tal maneira
arraigado nos camponeses de certas regiões da Europa, que se pode transmitir de
geração em geração, como que com o leite materno, pelo simples ensino do
catecismo em família. Em conseqüência, poderia a Igreja silenciar sobre o
direito de propriedade durante decênios, sem prejuízo para a formação moral dos
fiéis.
Não negamos que o
senso da propriedade seja vivaz em algumas regiões da Europa. É notório que por
isso mesmo os comunistas tiveram de retroceder em sua política de confisco, e
restituir terras aos pequenos proprietários da Polônia, por exemplo.
Entretanto, estes
retrocessos estratégicos, freqüentes na história do comunismo, não constituem
da parte dos sectários deste senão uma atitude de momento, a que se resignam
por vezes, para mais completamente vencer. Assim que as circunstancias lho
permitem, voltam à carga com astúcia e energia redobradas.
Será então o
momento de maior perigo. Expostos à ação da técnica de propaganda mais
astuciosa e requintada, os camponeses terão que sofrer por tempo indeterminado
a ofensiva ideológica marxista.
Quem não
estremece ao imaginar exposta a este risco a jovem geração de qualquer parte da
terra? Admitir que o mero senso rotineiro e natural da propriedade pessoal
constitua normalmente couraça de todo tranqüilizadora contra tão grande perigo,
é confiar muito em um fator humano. Na realidade, sem a ação direta e
sobrenatural da Igreja, preparando seus filhos com toda a antecedência e
assistindo-os na luta, é pouco provável que fiéis de qualquer país e qualquer
condição social resistam à prova.
Ademais, como
dissemos, não nos parece lícito, em qualquer caso, que a Igreja suspenda por
decênios o exercício de sua missão, que consiste em ensinar na íntegra a Lei de
Deus.
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