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| Ioannes Paulus PP. II Carta Apostólica por ocasião do 1700° Aniversário do Baptismo do Povo Arménio IntraText CT - Texto |
6. A narração tradicional dos factos relacionados com a conversão dos Arménios oferece motivos para uma reflexão. Em São Gregório o Iluminador e nas santas Virgens resplandece a força poderosa da fé, que leva a não se deter perante as tentações do poder do mundo, e torna capazes de resistir aos sofrimentos mais atrozes bem como às lisonjas mais aliciantes. No rei Tiridate podem ver-se as consequências provocadas pelo afastamento de Deus: o homem perde a própria dignidade degradando-se, de maneira a permanecer prisioneiro dos próprios desejos. De toda esta narração emerge uma verdade importante: não existe uma sacralidade absoluta do poder, e não significa que ele possa ser sempre justificado em tudo o que realiza. Ao contrário, deve-se reconhecer a responsabilidade pessoal das próprias escolhas: se elas são erradas, permanecem assim, mesmo que seja um rei quem as realiza. A humanidade reconstitui-se totalmente quando a fé desmascara o pecado, o iníquo se converte e encontra Deus e a sua justiça.
Nos edifícios cristãos, construídos no lugar onde se veneravam os ídolos, transparece a verdadeira identidade do cristianismo: isso encerra o que nele existe de verdadeiramente válido em sentido religioso da humanidade e sabe, ao mesmo tempo, propor a novidade de uma fé que não admite outros compromissos. Desta forma, edificando o povo santo de Deus, contribui também para o aparecimento de uma nova civilização na qual são sublimados os valores mais autênticos do homem.