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II.
A RENOVAÇÃO
19. Mais, é
grande em nós o desejo de que a Igreja de Deus seja qual Jesus a quer: una,
santa, toda encaminhada à perfeição a que Ele a chamou e de que a tornou capaz.
Perfeita no seu conceito ideal, no desígnio de Deus, a Igreja deve-se ir
aperfeiçoando sempre na expressão real, na sua existência terrestre. É este o
grande problema moral que domina a sua vida, a caracteriza, a estimula, a
acusa, a sustenta e a enche de gemidos e de orações, de arrependimentos e de
esperanças, de esforço e de confiança, de responsabilidades e de méritos. É
problema inerente às realidades teológicas de que depende a vida humana. Não
podemos ajuizar sobre o homem, a sua natureza e a sua perfeição original, sobre
as conseqüências ruinosas do pecado original, capacidades do homem para o bem e
auxílio de que precisa para o desejar e realizar, sobre o sentido da vida
presente e das suas finalidades, os valores que o homem deseja ou de que pode
dispor, sobre o critério de perfeição e de santidade, e sobre os meios e modos
para dar à vida o seu grau mais alto de beleza e plenitude, não podemos fazer
nada disto sem nos referirmos ao ensino doutrinal de Cristo e do magistério
eclesiástico dele derivado. A ambição de conhecer os caminhos do Senhor é e
deve ser constante na Igreja, e a discussão que se vai mantendo, de século em
século no seio da Igreja, sobre as questões, de perfeição, sendo tão fecunda e
variada, bem queríamos que tornasse a despertar o interesse máximo a que tem
direito. E isto no tanto para elaborar novas teorias, quanto para gerar
energias novas, que levem àquela santidade que Jesus Cristo nos ensinou e nos
possibilita conhecer, desejar e conseguir. Para isso nos dá o seu exemplo, a
sua palavra, a sua graça, a sua escola baseada na tradição eclesiástica,
fortificada pela ação comunitária, ilustrada pelas figuras singulares dos
Santos.
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