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Falhado, pois, ao proverem, ou observando a
retidão ao fazê-lo, por isto são ditos bons ou maus. Pelo fato de que são provistos por Deus, a eles
são oferecidos bens ou males. E na medida em que eles de modo diverso se acham
ao proverem, de modos também diversos são provistos por Deus.
Se,
pois, observam a reta ordem ao proverem, a divina providência neles observa uma
ordem condizente com a dignidade humana, de modo que nada lhes aconteça que não
se lhes converta em bem, e que tudo o que lhes provenha os promova ao bem,
segundo o que está escrito na Epístola aos Romanos:
"Todas as coisas cooperam
para o bem daqueles
que amam a Deus".
Rom. 8, 28
Se, porém, ao proverem, não observam a ordem que é condizente com a
criatura racional, provendo, em vez disso, segundo o modo dos animais brutos, a
divina providência os ordenará segundo a ordem que compete aos animais brutos, isto
é, de tal maneira que as coisas que neles são boas ou más não se ordenem para o
bem deles próprios, mas para o bem dos outros, segundo o que diz o salmista:
"O homem,
estando em honra,
não compreendeu;
foi comparado aos ignorantes jumentos,
e tornou-se semelhante a eles".
Salmo 48, 13
De tudo isto é evidente que a divina
providência governa os bons de um modo mais alto do que os maus. Os maus, de
fato, segundo que se retiram de uma determinada ordem da providência, não
fazendo a vontade de Deus, caem sob uma outra ordem, sendo feito deles a divina
vontade. Os bons, porém, quanto a ambas estas coisas estão sob a reta ordem da
providência.
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