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Diálogo a estabelecer
54. Quer dizer
que é indispensável estabelecer entre todos aquele diálogo, para o qual
apelávamos com os nossos votos, na nossa primeira Encíclica Ecclesiam suam.56
Este mesmo diálogo, entre aqueles que fornecem os meios e os que deles se
beneficiam, permitirá avaliar os subsídios, não só quanto à generosidade e
disponibilidade de uns, mas também em função dos bens reais e das
possibilidades de emprego de outros. Então, os países em via de desenvolvimento
já não correrão o risco de ficarem sobrecarregados de dívidas, cuja amortização
e juros absorvem o melhor dos seus lucros. Os juros e a duração dos empréstimos
podem ser organizados de maneira suportável a uns e a outros, equilibrando os
donativos gratuitos, os empréstimos sem juros ou à taxa mínima, com a duração
das amortizações. Podem dar-se garantias aos que fornecem os meios financeiros,
sobre a maneira como serão empregados, segundo o plano combinado e com uma
eficácia razoável, pois não se trata de favorecer preguiçosos e parasitas. E os
beneficiados podem exigir que não se intrometam na sua própria política, nem
perturbem a sua estrutura social. Como Estados soberanos, compete-lhes conduzir
os seus próprios negócios, determinar a sua política e orientar-se livremente
para a sociedade que preferirem. Portanto, é uma colaboração voluntária, uma
participação eficaz de uns como os outros, numa idêntica dignidade, que deve
estabelecer-se para a construção de um mundo mais humano.
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