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A serviço do homem
34. Porque,
qualquer programa feito para aumentar a produção não tem, afinal, razão de ser
senão colocado ao serviço da pessoa. Deve reduzir desigualdades, combater
discriminações, libertar o homem da servidão, torná-lo capaz de, por si
próprio, ser o agente responsável do seu bem-estar material, progresso moral e
desenvolvimento espiritual. Dizer desenvolvimento, é com efeito preocupar-se
tanto com o progresso social como com o crescimento econômico. Não basta
aumentar a riqueza comum, para que ela seja repartida eqüitativamente. Não
basta promover a técnica, para que a terra possa ser habitada de maneira mais
humana. Nos erros dos predecessores reconheçam, os povos que se encontram em fase
de desenvolvimento, um aviso dos perigos que hão de evitar neste domínio. A
tecnocracia de amanhã pode gerar ainda piores males que o liberalismo de ontem.
Economia e técnica não têm sentido, senão em função do homem, ao qual devem
servir. E o homem só é verdadeiramente homem, na medida em que, senhor das suas
ações e juiz do valor destas, é autor do seu progresso, em conformidade com a
natureza que lhe deu o Criador, cujas possibilidades e exigências ele aceita
livremente.
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