|
Pedido aos responsáveis
pela vida pública: salvaguardar a paz ameaçada
Perante estes graves perigos da
vida internacional, Nós, conscientes de nossos deveres de Pastor supremo,
julgamos necessário manifestar as nossas preocupações e, ao mesmo tempo, o
temor de que os dissídios se venham a tornar tão agudos que degenerem num
conflito sangrento. Pedimos, portanto, instantemente, aos responsáveis pela
vida pública, que não se mantenham surdos à aspiração unânime da humanidade,
que deseja a paz. Façam tudo quanto está em sua mão para salvar a paz ameaçada.
Continuem a promover e favorecer colóquios e negociações, a todos os níveis e
em todas as ocasiões, no intento de sustarem o recurso perigoso à força, com
todas as suas tristíssimas conseqüências materiais, espirituais e morais.
Procure-se reconhecer, dentro dos caminhos traçados pelo direito, toda e
qualquer aspiração verdadeira e sincera de justiça e de paz, para lhe dar
expressão e satisfação, e haja confiança em todos os atos leais de boa vontade,
de maneira que prevaleça a causa positiva da ordem sobre a causa da desordem e
da ruína.
Infelizmente, nesta situação
dolorosa, somos obrigados a reconhecer, com grande amargura, que se esquece
muitas vezes o respeito devido ao caráter sagrado da vida humana, e se recorre
a sistemas e atitudes que estão em clara oposição com o senso moral e os
costumes de povos civilizados. E, a este propósito, não podemos deixar de
elevar a nossa voz em defesa da dignidade humana e da civilização cristã, para
deplorar os atos de guerrilha e de terrorismo, a tomada de reféns e as
represálias contra populações indefesas. Delitos estes que, ao mesmo tempo que
fazem retroceder o sentido do que é justo e é humano, exasperam cada vez mais
os ânimos dos contendores e podem fechar os caminhos até agora abertos à
negociações. Estas, quando francas e leais, deveriam levar a um acordo
razoável.
As nossas preocupações, como bem
sabeis, Veneráveis Irmãos, são inspiradas não por interesses pessoais, mas
unicamente pelo desejo de proteger todos os que sofrem e de promover o bem de
todos os povos. E fazemos votos por que a consciência das próprias
responsabilidades, diante de Deus e diante da história, tenha força suficiente
para levar os Governos a prosseguirem nos seus esforços generosos para
salvaguardar a paz, e para afastar quanto possível os obstáculos reais ou
psicológicos, que se opõem a um entendimento seguro e sincero.
|