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C. Uma palavra
talismã
Nessa posição inicial, em que o
paciente, mercê da unilateralidade de seu estado de espírito, já aparece preparado
para a ação psicológica que vai sofrer, o emprego de uma palavra bem escolhida
pode produzir efeitos surpreendentes. É a palavra-talismã.
Trata-se de uma palavra cujo sentido
legítimo é simpático e por vezes até nobre; comporta ela, porém, certa
elasticidade. Empregando-se tal palavra tendenciosamente, começa ela a refulgir
para o paciente com brilho novo, que o fascina e o leva muito mais longe do que
poderia pensar.
Citemos alguns desses sadios e até
nobres vocábulos. Torcidos, atormentados, deturpados, violentados, de vários
modos, a quanto equívoco, a quanto erro, a quanto desacerto têm eles servido de
rótulo! Pode-se mesmo dizer que os efeitos dessa técnica são tanto mais nocivos
quanto mais digno e elevado é o conteúdo da palavra de que assim se abusa:
"corruptio optimi pessima". Entre as palavras portadoras de um
conteúdo digno, assim transformadas em enganosos talismãs a serviço do erro,
podem ser citadas: justiça social, ecumenismo, diálogo, paz, irenismo,
coexistência, etc.
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