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Entendemos aqui a palavra "irenismo", não no sentido de amor temperante
à verdadeira paz, porém no de amor desregrado de uma paz obtida custe o que
custar, com prejuízo de princípios, de direitos adquiridos, etc. Em suma, de
uma paz inautêntica. De tal irenismo diz Pio XII na Encíclica "Humani
Generis", de 12 de agosto de 1950: "Existe também outro perigo, que é
tanto mais grave quanto se oculta sob a capa de virtude. Muitos há que,
deplorando a discórdia do gênero humano e a confusão reinante nos espíritos,
bem como levados por imprudente zelo das almas, são impelidos vigorosamente por
um ardente desejo de romper as barreiras que separam entre si as pessoas retas
e honradas; e abraçam um "irenismo" tal que, pondo de lado as
questões que dividem os homens, pretendem não somente combater em união de
forças contra o ateísmo avassalador senão também conciliar opiniões contrárias,
mesmo no campo dogmático. (...) Se tais pessoas não pretendessem mais do que
acomodar melhor, com alguma renovação, o ensino eclesiástico e seus métodos às
condições e necessidades atuais, quase não haveria razão para temores; contudo,
alguns, arrebatados por imprudente "irenismo", parecem considerar
como óbice ao restabelecimento da unidade fraterna justamente aquilo que se
fundamenta nas leis e princípios legados por Cristo e nas instituições por Ele
fundadas, ou o que constitui a defesa e o sustentáculo da integridade da fé. Se
isto ruísse, unir-se-iam todas as coisas, sim, mas somente para a
perdição" (Disc. e Radiomess., vol. XII, p. 498). Desse irenismo também
fala em termos expressivos Paulo VI no tópico da Exortação aos Párocos e
Pregadores quaresmais de Roma, reproduzido na nota 15, deste capítulo.
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