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L. O binômio
medo-simpatia opera no mundano burguês
Bem sabemos como o utopismo do proletário mundano, quando
inebriado pelo comunismo, o leva a ver com ódio o paraíso do burguês, do qual
ele está excluído.
Por seu lado, como vê o burguês mundano a perspectiva de um paraíso
operário? Habituado a seus bens, deles não quer abrir mão. Entretanto,
extenuado pela luta de classes, com medo das perspectivas de guerras,
revoluções, saques e morticínios, horas há em que lhe sorri como mal menor a
possibilidade de se integrar pacificamente, e salvando quiçá algumas pequenas
vantagens, no paraíso proletário. E depois, pensa ele, quem sabe se esse
paraíso consegue, ao contrário da sociedade burguesa, eliminar o erro, o mal e
a dor? Compensaria talvez renunciar às vantagens de que ora desfruto, reflete
ainda o burguês mundano, para entrar em um mundo onde ninguém estivesse sujeito
a esse tríplice jugo. Ninguém... nem ele próprio que, nos intervalos entre seus
negócios e seus prazeres, se sente tão vulnerável pela doença e pelos riscos de
toda ordem.
E então, com todo o ímpeto de sua apetência de um paraíso na
terra, o burguês mundano começa a descobrir em si uma fibra socialista e a
entrever possibilidades de pacto com o comunismo. Surge nele um sentimento
pacifista em relação a este terrível adversário. O diálogo irênico lhe sorri...
A par do medo, começa a atuar nele a simpatia.
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