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Plinio Corrêa de Oliveira
Baldeação ideológica inadvertida e Diál.

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  • Conclusão
    • 5. 0 pacifismo irenista e o diálogo
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5. 0 pacifismo irenista e o diálogo

 

Quando nascidos do solo da utopia irênica, os vocábulos "diálogo" e "coexistência" formam com a palavra "paz" um só anel. A paz irênica não se reduz à mera inexistência de guerras termonucleares ou convencionais, de revoluções ou guerrilhas. Ela contém uma doutrina, ela é um estilo de vida não só pública como privada, em que todos os elementos de atrito foram substituídos por uma coexistência cordial e dialética da tese com a antítese, numa contínua colaboração para preparar a síntese.

 

O diálogo irenista é a aplicação direta dessa doutrina, a linguagem desse estilo de vida, e o instrumento dessa colaboração25.

 

 




25 Uma vítima da palavra-talismã "diálogo", ao ler todas estas considerações, não deixará de perguntar se o autor, tão infenso ao irenismo, é indiferente ao perigo de uma hecatombe termonuclear.

Esta pergunta é, de si, um insulto, pois só um louco ou um desalmado pode ser indiferente a tal perigo.

Um católico que não o receie com todas as veras da alma, não tem sinceridade em sua . Na realidade, não será senão um fariseu.

Porém, para um católico sincero, há um mal ainda mais grave do que a guerra: é o pecado. Santo Agostinho torna bem claro este pensamento: "O que há a recriminar na guerra? Será o fato de que nela se matam homens destinados a morrer todos um dia, a fim de que os vencedores possam viver em paz? Fazer tal censura à guerra seria coisa de pusilânimes, não de homens religiosos. 0 que se increpa, a justo título, nas guerras é o desejo de causar dano, a crueldade da vingança, um ânimo implacável e inimigo de toda paz, a ferocidade das represálias, a paixão do domínio, e outros sentimentos semelhantes" (Cont. Faust., XXII, 74 - PL 42, 447) . Se estes são os pecados em que a guerra pode induzir os homens, muito mais grave ainda é o pecado ao qual, nas presentes circunstâncias, os pode levar o irenismo. Pois é a apostasia, que, enquanto atenta contra a , raiz de todas as virtudes, é o mais grave dos pecados.

Se a condição para ser preservada a paz consiste em que os filhos da Igreja aceitem uma concepção relativista da Religião - cavilosamente introduzida neles pela palavra-talismã "diálogo" e outras congêneres - e uma civilização socialista, então é preciso reconhecer francamente que para o gênero humano se põe a alternativa entre obedecer a Deus que nos manda crer no que revelou, ou aos déspotas comunistas que, acenando com a bomba de hidrogênio, nos mandam recusar a Revelação. E, diante desta alternativa, não há, mais uma vez, como duvidar: "importa mais obedecer a Deus do que aos homens", como adverte o Príncipe dos Apóstolos (At. 5, 29 ).

Na realidade, porém, negamos que a opção diante da qual se encontra a humanidade seja a apostasia ou a destruição atômica. Há de um lado o preceito divino e de outro lado a ameaça comunista, por certo. Mas o perigo da hecatombe termonuclear será maior se desobedecermos a Deus do que se desobedecermos aos déspotas de Moscou ou Pequim.

Pois se a opinião pública, dominada pelo binômio medo-simpatia, e intoxicada pelas palavras-talismã do irenismo, entre as quais "diálogo", aceitar uma concepção relativista e hegeliana da Religião, imporá inevitavelmente que as nações não comunistas aceitem em termos de coexistência, e para salvar a paz, a generalização do comunismo no mundo.

Esse pecado supremo, pelo próprio fato de ser cometido por nações e não apenas por indivíduos, está sujeito à Justiça Divina de modo muito especial.

Com efeito, enquanto os pecados dos indivíduos podem ser punidos neste mundo ou no outro, o mesmo não se com os pecados das nações. Estas, como diz Santo Agostinho, não podendo ser recompensadas nem castigadas na outra vida, recebem aqui mesmo o prêmio de suas boas ações e a punição de seus crimes.

A um pecado supremo dos países corresponde, pois, em termos de justiça, uma punição suprema neste mundo. E esta bem pode ser a catástrofe termonuclear.

Assim, mais perigo há de uma tal catástrofe na apostasia do que na fidelidade.

Esta afirmação ainda melhor se provará se não considerarmos só a pena, mas também o prêmio. As nações fiéis à Lei de Deus devem receber nesta terra a justa recompensa. Nada, pois, é mais próprio a atrair para um povo a proteção e o favor de Deus mesmo no que diz respeito aos bens desta vida, do que a fidelidade heróica em face do perigo termonuclear. Esta fidelidade é o meio por excelência para afastar tal perigo.






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