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B. Malogro no
organizar e promover a produção
O comunismo que nem conseguiu
convencer, nem autenticamente vencer, também se mostrou impotente em organizar
e produzir. Sua inferioridade em relação ao Ocidente é, a este respeito,
confessada. Tanto os kruchevistas quanto os pós-kruchevistas afirmam a
necessidade de reformas fundamentais na estrutura econômica da Rússia, para
obter um aumento da produção. E essas reformas devem importar, segundo eles,
numa ampliação da livre iniciativa.
Em outros termos, é de um princípio
fundamentalmente oposto à sua doutrina que os comunistas esperam obter alguma
elevação da produtividade... Pode-se facilmente aquilatar quanto esse insucesso
desacredita o comunismo junto às populações por ele dominadas, bem como junto à
opinião mundial.
6. Inutilidade do poderio
termonuclear na expansão do comunismo pela violência
Dessa impotência na persuasão
ideológica explícita e na produção econômica, que acabamos de ver, decorrem
naturalmente para o marxismo, na realização de seu plano de hegemonia mundial,
dificuldades incontáveis, que reduzem a bem mais modestas proporções o espectro
de seu irresistível poder. Em um ponto, em um só ponto, o perigo comunista pode
parecer grande aos olhos de todos os povos. É no brandir a ameaça de uma
hecatombe termonuclear de âmbito quiçá mundial. Se enquanto força de construção
o comunismo nada é, como força de destruição ele é algo.
É notório que o poderio atômico
soviético é inferior ao norte-americano. Mas, por sua própria índole a Rússia
constitui para o mundo, como potência termonuclear, um perigo maior do que
qualquer outra nação. Com efeito, para realizar seus planos as forças da
desordem e da revolução, pela sua mesma natureza, relutam menos (quando
relutam) do que as forças da ordem, em recorrer à destruição. A tendência
normal do assaltante emboscado num caminho consiste em agredir. A de sua vítima
não consiste em lutar, mas em fugir. E assim é maior o risco de que uma
hecatombe atômica seja desencadeada pelos soviéticos ou pelo chineses do que
por alguma nação do Ocidente.
Este único ponto de
"superioridade", intrinsecamente negativo, de que vale para a
expansão comunista? Serão por ele superados os obstáculos que, como vimos, se
opõem a essa expansão?
A que resultados conduziria, para os
próprios comunistas, um conflito termonuclear? Vitoriosos talvez de início,
seriam eles as principais vítimas da hecatombe que teriam desencadeado. Pois,
seu poderio sendo inferior ao do adversário, sofreriam provavelmente, logo após
a agressão, represálias maiores do que o dano que houvessem causado. E por fim
perderiam a guerra.
Nada com efeito menos provável do que a
vitória deles. E, se a alcançassem, o que lhes restaria nas mãos, senão um
mundo em que os Estados Unidos e a Europa estariam reduzidos a um imenso monte
de ruínas? Como levantar sobre essas ruínas fumegantes e informes o edifício do
socialismo, que Marx, Lenine, Stalin e Krutchev anelaram ver construído sobre a
técnica mais perfeita, mais avançada, e, em uma palavra, mais capaz de emular
com a norte-americana? Ainda recentemente, o "Pravda", órgão da
Comissão Central do Partido Comunista russo, afirmava: "Acontece com freqüência,
na política, que as derrotas sofridas por um campo não equivalem
necessariamente a vitórias no campo oposto. O exemplo mais surpreendente é o da
guerra termonuclear, que nada valeria ao bloco socialista, ainda que nela o
imperialismo fosse literalmente pulverizado" ("Pravda", edição
de 6 de janeiro de 1965, apud telegrama da AFP da mesma data, especial para
"O Estado de São Paulo"). É a confissão da radical nocividade, para
as próprias nações comunistas, de uma hipotética vitória termonuclear soviética
sobre o Ocidente.
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