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Plinio Corrêa de Oliveira
Baldeação ideológica inadvertida e Diál.

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  • Capítulo I - A nova tática comunista: ação persuasiva no subconsciente
    • 9. Condições propícias à técnica comunista de persuasão implícita
      • C. O binômio medo-simpatia
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C. O binômio medo-simpatia

 

Como vemos, há na própria psicologia de incontáveis pessoas no Ocidente um binômio de forças, que chamaremos de medo-simpatia, o qual inspira em influentes setores econômicos, políticos, intelectuais e até religiosos a propensão para entrar em composição com o comunismo 4.

 

 

 




4 Seja-nos lícito, de passagem, fazer um comentário à margem do tema, mas que pode elucidar um aspecto importante do problema comunista em nossos dias.

As considerações que fizemos neste capítulo importam, com efeito, ao estudo da verdadeira natureza do estremecimento atual entre a Rússia e a China comunista.

À vista das razões que enunciamos, o comunismo deve, em rigor de lógica, operar uma considerável renovação de métodos para encetar essa nova etapa de sua luta. Assim, é forçoso perguntar, a propósito de cada acontecimento de monta ocorrido no mundo marxista - como é a ruptura da Rússia com a China - até que ponto, por cima das suas causas próximas e visíveis ele se ajusta aos novos métodos e fins da alta e mais recente estratégia comunista. Um observador cauto deve, pois, considerar a esta luz, com o mais acurado senso crítico, o dissídio sino-soviético.

Com efeito, se é bem verdade que existem pontos naturais de divergência entre os interesses nacionais da Rússia e da China e razões de competição entre o PC russo e o PC chinês quanto à direção mundial do movimento comunista, é de se notar que o dissídio entre os dois "grandes" do comunismo apresenta, do ponto de vista propagandístico, outro aspecto, e este de grande envergadura. Considerada em função do binômio medo-simpatia, vê-se que aos olhos dos povos livres a China comunista apresenta a face sombria e agressiva, capaz de atuar sobre o medo do Ocidente enquanto as propostas de coexistência pacífica da Rússia e os sintomas de "degelo" ali verificados fazem vibrar aquém cortina de ferro as fibras de alma simpáticas ao comunismo. Estas duas faces, a chinesa e a russa, formando o verso e o reverso de uma mesma medalha, bem podem constituir como que um dispositivo de dupla pressão psicológica sobre o binômio medo-simpatia existente na opinião pública do mundo livre, servindo assim os supremos interesses do expansionismo comunista. Para compreender a plausibilidade desta hipótese, cumpre ter em vista que esses interesses são comuns, em ultima análise, a todos os marxistas, sejam eles russos ou chineses.

Análogas considerações se devem fazer sobre a atual tendência para um tal ou qual restabelecimento da livre iniciativa na Rússia.

De um lado, se esta, desistindo por ora de uma guerra suicida quer competir com os Estados Unidos em clima de coexistência pacífica no terreno da produção, deve necessariamente apelar para o restabelecimento, ainda que muito rudimentar, da livre iniciativa. Pois a experiência soviética prova que de outro modo nenhum progresso é possível nos setores em que mais insuficiente se mostra a produção.

Mas esse restabelecimento não será utilizado propagandisticamente para outros fins?

Por exemplo, não poderá ele provocar uma desmobilização dos espíritos no mundo livre, preparando-os para a ilusão de que a Rússia estaria a caminho de um regime democrático apenas semi-socialista, e que os perigosos contrastes entre os dois mundos poderiam ser eliminados caso o Ocidente, no interesse da paz, consentisse em se "socializar" fortemente ao mesmo passo que a Rússia se "capitalizasse" um pouco?

Essa ilusão atuando sobre o binômio medo-simpatia, a que recuos, a que capitulações poderia predispor as nações livres!

 






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