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1. A técnica
comunista de persuasão, clássica
Um partido comunista se constitui, em
via de regra, com um núcleo de intelectuais ou semi-intelectuais que pelos
meios bem conhecidos - isto é, pelo recrutamento individual nas universidades,
nos sindicatos, nas forças armadas e em outros ambientes, por reuniões de
grupos de adeptos, por conferências e discursos, pela atuação na imprensa, no
rádio, na televisão, no teatro e no cinema - suscita ou explora os mais
variados fatores de descontentamento e agitação. No clima assim preparado com o
emprego ora da audácia, ora da cautela, o pugilo inicial de adeptos expõe,
desde logo, ou a partir de certo momento, a doutrina comunista, e dela faz a
apologia clara. Atraída por essa doutrinação, se constitui então uma corrente
de prosélitos fanatizados. O partido está fundado. Ele suscita, estimula e
recruta assim, nesta primeira fase, todos os elementos bolchevizáveis que há no
meio em que age, predispostos em razão de múltiplos fatores ideológicos, morais
e econômicos a aderir ao comunismo.
Mas a experiência prova que ao cabo de
algum tempo estes êxitos iniciais, e por vezes rápidos, da técnica marxista de
persuasão cessam. Recrutados em determinado ambiente os "bolchevizáveis"
já ali existentes, as fileiras do partido só se vão engrossando passo a passo,
à medida que o corpo social, em seu processo paulatino de deterioração
ideológica, moral e econômica, vai "elaborando" outros elementos
contamináveis. A propaganda comunista pode, é certo, acelerar mais ou menos
esse processo de deterioração. Assim, os indivíduos assimiláveis pelo partido
podem tornar-se mais numerosos. Mas eles serão habitualmente minoria. E ao
mesmo tempo que o comunismo se vai enriquecendo com esses aderentes
minoritários, a sua propaganda vai esbarrando em uma maioria refratária a sua
ação.
Como conquistar esta
maioria?
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